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Chapter 77 - Uma "pequena" Explicação Sobre Mortos-Vivos

–É.... Acho que isso vai ser bem problemático. – Max disse se levantando e vendo o estado do escudo. – As chances de bloquearem o acesso a Provação fixa cada vez maior.

Ele disse exatamente oque eu pensava.

Para nós 5, o cavaleiro morto inquieto não foi um grande oponente, mesmo que tivessem aparecido dois deles ainda conseguiremos vencer.

Mas se aparecessem 3 ou mais aí eu já não saberia dizer, e se tem uma coisa que eu sei sobre os mortos inquietos é que eles dificilmente andam sozinhos. E se eu aprendi algo na Provação, foi que as criaturas daqui também não demoram a se agrupar se uma luta demorar muito.

Se outras pessoas não acostumados aparecessem o resultado não seria difícil de prever.

'... Mas se eles tivessem que lutar contra os esqueletos do xamã goblin então.... Até daria pra construir uma base?....Talvez'

Como Kamila disse desde a primeira vez que eles entraram na Provação pela primeira vez, aqui é um lugar de grandes riscos e grandes recompensas (até de diversão dependendo de como você usasse a cabana do rio, ou interpretasse os tomos). Porém, poderiam as recompensas desse andar nebuloso e sombrio valeram a pena o risco de não só poder a vida como possivelmente a alma também?

..... Eu honestamente não sei, mas a dúvida disso era muito mais forte.

'....Talvez seja melhor praticar oque vou dizer para o conselho da vila sobre as chances de perdermos o acesso a Provação... e sobre a possibilidade (praticamente certeza) de ter que abandonar o vilarejo.'

Um pensamento nada otimista, que eu não gostava sequer de ter, e muito menos que ele virasse realidade.

'...O único lado positivo seria que não teríamos mais que nos preocupar com os impostos do Barão ou suas exigências absurdas.'

Nossa aldeia felizmente nuca foi um alvo desse tipo de coisa, diferente da cidade onde o castelo do Barão ficava e de onde várias histórias nada boas circulavam. Entre ostentar seu poder em uma cidade com influxo grande de mercadores ou uma pequena aldeia sem nada de especial até recentemente, qual deles um nobre preferiria ser mais conehcido (mesmo que de forma negativa).

Mas não demoraria nada até isso acontecer, na verdade nem sei como isso algo assim ainda não tinha acontecido.

Os outros estavam conversando alguma coisa mais trás mas eu não os ouvia, ocupado demias me preocupando com oque diria aos outros no vilarejo, até que a Anna pater palmas pra chamar nossa atenção.

–CO-MO EU DIS-SE!!!. Em circunstâncias normais poderia ser que a Provação fosse bloqueada e a aldeia do Connor teria que ser "realocada". Mas isso se fossem mortos inquietos reais.

Eu, Max e Mav olhamos a mais nova entre nós com a mesma expressao: você não viu oque achamos de ver, ou lutou?.

Ela nos encarou de volta, suspirou e perguntou para Cali.

–Voce quer fazer as honras?

–Voce não quer?

–Acho que você vai conseguir explicar melhor. – Anna disse pegando a lança e avaliando a lança ainda no chão, depois pegando a adaga e começando a estuda-la.

Cali se virou para nós com a expresso típica que ela usa quando esta prestes a nós dar sermão, quer nos quisermos ouvir ou não.

–Os mortos inquietos só surgem em lugares onde ouve uma grande unidade de mortos em um espaço corto de tempo, e onde uma grande quantidade de Aether foi usado. Não só isso, esse Aether teria que ter se misturado de alguma forma com o ambiente ao redor, agindo basicamente como um veneno.

–Aether como um veneno?. Do que você tá dando mulher? – Max perguntou, oque lhe rendeu obviamente um olhar fulminante da Cali.

Mas dava pra entender o ponto dele. Aether era uma força natural da vida, igual ao vento. Existia em todos os seres em quantidades diferentes, que poderia ser aumentados ou diminuindo dependendo de como era usado (ou assim diziam as ordens e templos).

Ouvir que o Aether envenena o ambiente era o mesmo que dizer que o ar te mata se respirar de mais.

Como se lesse minha mente. Cali disse calmamente, como se fossemos crianças que estavam começando a aprender sobre o mundo.

–Tudo em demasia é um veneno, se você beber água demais seu estômago inxa e você passa mau. Se você só respirar e não expiar seus pulmões não vão aguentar. Se um lugar ficar saturado de Aether ele fica poluído. Tem até algumas teorias dizendo que a Corrosão acontece pela poluição do Aether, mas isso não é muito estudado por ser difícil de verificar.

'Facil de imaginar o por que.'

–Enfim, nesse tipo de lugar onde os mortos inquetos surgem o Aether se torna a força motriz dos seus impulsos, função mental e sustento. Porém como estão mortos eles já não conseguem gerar Aether naturalmente, contudo ainda precisam suprir suas "vidas" com ele. Logo a opção mais obvia é consumir Aether de outros seres vivos.

Simples e brutal, fácil de enteder assim como os vivos também precisam comer para continuar vivendo.

'Isso me lembra, mestre Diem disse que os animais que manipulam Aether são mais saboroso que animais comuns. Será que é o mesmo princípio?'

–Por causa desse impulso mortos inquetos sempre tendam agarrar, segurar e morder, exatamente nessa ordem. Alguns que mantém um resquício de raciocínio e/ou memória muscular, como os cavaleiros, mercenários ou membros de templos marciais, ainda conseguem ter a reação de incapacitar o alvo antes de tentar consumi-lo. Por isso locais onde mortos inquetos são gerados são bloqueados, e as pessoas remanejadas. As chances delas serem dizimadas dependendo do lugar e quantidade mortos não é exatamente baixa.

'Consigo enteder isso mas—Hã?. Espera isso não foi meio diferentndo que o cavaleiro morto tentou fazer?'

Vendo a expresso no meu rosto Cali apontou sorrdente para mim e disse um oitavo mais alto.

–SIM CONNOR EXATAMENTE ISSO!. ELE NÃO TENTOU FAZER NENHUMA DESSAS COISAS, APENAS LUTAR!. – Cali disse estranhamente animada. – Esse tipo de comportamento não é comum em mortos inquetos nascidos naturalmente, parece mais o tipo de coisa que um fantoche de carne faria. Agora qual a principal diferença entre esses dois nesse caso?

Eu, Max e Mav nos olhamos não entendo bem oque ela queria dizer.

–Hããã.... Que não tem nenhum controlador pra garantir que o fantoche de carne se movesse? – Max respondeu hesitante.

Cali estava prestes a dar uma reprimenda nele, mas parou no último instante.

–.... Na verdade você até está certo dessa vez.

–Eu tô?!

–"Ele tá?"

Max me olhou com olhar bem carregado. Eu não consegui evitar de falar isso, não estava mentindo quando disse que não achava que o Max fosse idiota... mas também é verdade que não acho que ele seje dos mais brilhantes também.

Cali limpou a garganta pra chamar nossa atenção pra ela novamente.

–Sim esse seria o principal diferencial, o controlador sempre teria que ficar a no máximo 200 metros do fantoche, com a distância aumentando com a proficiência dele. Quando não se tem sinal de um controlador e nenhum rastro de Aether nas redondezas é sempre presumido que o cadáver seria um morto inquieto, por isso a linha de definição entre os dois é meio vaga.

'Eu sou o único que fica preocupado dela saber tanto disso?. E pela reação de antes a Anna também deve saber desse tipo de coisa... Melhor não pensar muito nisso'

Os gêmeos também pareceram chegar nessa conclusão.

–Mas tem um jeito certeiro de diferenciar um do outro, segundo algumas teses antigas que eu li. O brilho nos olhos.

Ela fez uma pausa como se tivesse dito uma grande revelação. Eu e os gêmeos só ficamos encarando ela. Max demonstrando a sua coragem ou falta de inibição (Kaio: idiotice), levantou a mão como se estivéssemos em uma das aulas do templo e perguntou.

–Mas oque isso tem a ver com a Provação ser ou não proibida, e o pessoal da aldeia do Connor terque se mudar?

Cali congelou por uns bons 10 segundos, Anna deu um risinho mau disfarçado mais atrás enquanto usava o cristal para vasculhar o lugar a nossa volta. Enquanto eu e Mav ficamos nervosos demais pra fazer qualquer coisa, incluindo respirar.

Outra vez ela limpou a garganta e continuou a sua explicação como se Max nem tivesse feito a pergunta que a obrigou a voltar pra discussão inicial.

–Era nisso que eu já ia chegar. A cor da luz nos olhso dos cadáveres diz se eles são controlado por alguém, sendo um fantoche de carne, ou gerados naturalmente. Caso os olhos tivessem um brilho mais esbranquiçado seria um indício que eles eram controlados por alguém. – Cali disse um pouco mais rápido que o normal. – Nesse caso, o reino enviaria uma força de subjugação com a permissão real, isso dificultaria a vida de muitos civis e mercenários mas não seria um impedimento pra continuar a explorar a Provação permanente.

Ela disse tudo isso quase que em um fôlego só.

–Se fossem gerados naturalmente, tendo um brilho pendendo mais para o verde, aí seria necessário notificar os templos e ordens e etc. O reino daria um ordem real de selamento das área, e aí sim os residentes teriam que se mudar. – nos três acentimos com a cabeça, isso nós já sabíamos. – A questão é que o morto com que nos lutamos não tinha nenhum das características seje de um fantoche de carne ou de um morto inquieto natural. Além do fato dos olhos serem azul esverdeados, não brancos ou apenas esverdeados.

...

...

–"...."

–"COMO É QUE É????!!!!!!"

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