De pé sobre o Rei da Muralha caído após a batalha, Cobel o encarou com um olhar frio e inabalável.
A respiração do rei gigante estava entrecortada, seu corpo mal reagindo enquanto a água ao redor deles se acalmava lentamente. A floresta, antes rugindo com os ecos do choque, agora permanecia silenciosa — como se testemunhasse o fim de uma era.
Cobel apertou ainda mais o cabo da espada.
Seu peito subia e descia pesadamente.
Esta não foi uma vitória qualquer.
Isso foi sucessão.
O Rei da Muralha se obrigou a se mover, um joelho afundando na terra encharcada. Sua espada tremia em sua mão, rachaduras se espalhando pela lâmina como veias de fracasso.
"Então…" ele murmurou, erguendo a cabeça. "Você realmente chegou até aqui."
Cobel não disse nada.
As palavras eram desnecessárias.
Com um súbito ímpeto de força, o Rei das Muralhas avançou, sua espada descendo com todo o peso de sua vontade restante.
Cobel desviou o olhar.
A lâmina atingiu o chão, lançando detritos para todos os lados.
Cobel reagiu instantaneamente — seu chute atingiu em cheio o queixo do rei, arremessando-o para trás, no lago.
A água jorrou para cima em uma explosão.
Por um instante, não havia nada.
Então a superfície se rompeu.
O Rei da Muralha se levantou novamente, encharcado, com os olhos ardendo em obstinada determinação.
Cobel olhou para trás.
Sua filha ficou parada, imóvel, na beira da floresta, com os olhos arregalados, sem conseguir se mexer.
"Eli!" gritou Cobel. "Corra. Avise a aldeia!"
Ela hesitou, depois se virou e correu.
Só então Cobel enfrentou seu oponente novamente.
O Rei da Muralha investiu, espada apontada diretamente para o peito de Cobel.
Cobel expirou lentamente.
"Então é assim que termina…" murmurou ele. "Uma nova era sempre exige sangue."
Aço contra aço.
O choque provocou vibrações no solo.
No instante seguinte, Cobel desapareceu.
Os olhos do Rei da Muralha se arregalaram.
Uma voz sussurrou atrás dele.
"Eu poderia terminar isso agora."
Uma dor aguda o invadiu quando seu corpo foi arremessado na floresta, atravessando raízes e terra antes de parar violentamente contra um tronco caído.
Ele tossiu, forçando o ar de volta para os pulmões.
Antes que pudesse se levantar, uma força esmagadora o prendeu ao chão.
Cobel estava de pé sobre ele, com a espada pressionada contra o ombro.
Por um instante, tudo acabou.
Mas o Rei da Muralha rugiu.
Com tudo o que lhe restava, ele empurrou Cobel para o lado e cambaleou de volta para os pés.
Suas espadas se chocaram novamente.
Cada golpe demonstrava mais exaustão do que raiva.
Cobel levou uma pancada no ombro, seu corpo se contorcendo com o impacto, mas ele resistiu, avançando e acertando uma joelhada nas costelas do rei.
O Rei das Muralhas caiu de joelhos.
Cobel estava de pé acima dele.
"…É só isso?", perguntou ele em voz baixa.
O Rei das Muralhas deu uma risada fraca.
"Mesmo agora… você me despreza."
Ele se obrigou a levantar-se mais uma vez.
Eles atacaram.
A lâmina do Rei da Muralha se estilhaçou com o impacto.
O som ecoou como um veredicto.
Ele entendeu.
Essa batalha já havia escolhido seu vencedor.
Cobel ergueu a espada—
—mas foi subitamente atirado para trás, caindo no lago, por um contra-ataque desesperado.
A água ondulava violentamente.
Momentos depois, Cobel surgiu com sangue escorrendo pelo rosto e respirando com dificuldade.
O Rei da Muralha o agarrou pela gola, puxando-o para perto.
"Não serei mais o Rei da Muralha", sussurrou ele.
Seguiu-se uma greve.
"Matador de Reis combina mais comigo."
Eles se separaram.
Ambos mal conseguiam ficar de pé.
Sem ódio.
Sem fúria.
Só a vontade.
Eles se enfrentaram uma última vez.
A onda de choque sacudiu a floresta.
Um estalo seco ecoou.
Ambos caíram.
Seguiu-se um silêncio.
Cobel permaneceu imóvel.
O Rei Sem Nome estava de pé sobre ele, exausto além das palavras.
"Eu já fui como você", disse ele em voz baixa. "Consumido pelo vazio… acreditando que a força era tudo."
Ele se virou.
Um rei havia caído.
Outro havia surgido.
E o mundo, sem saber, acabara de mudar para sempre.
O Rei Sem Nome, aliviado por a luta finalmente ter terminado, deixou seu corpo desabar. Suas pernas cederam e ele caiu sobre a terra fria, encarando o céu escuro acima. Seu peito subia e descia irregularmente enquanto uma dor aguda percorria seu braço quebrado.
Por um instante, houve apenas silêncio.
Então—respiração ofegante.
Abrindo os olhos novamente, o antigo Rei da Muralha virou a cabeça e viu Cobel estendido imóvel perto dele. Lentamente, com dificuldade, ele se levantou e aproximou-se do gigante caído.
Um riso fraco escapou de seus lábios.
"Eu já fui como você, garoto", disse ele com a voz rouca. "O vazio me dominava… assim como te domina agora." Ele tossiu, com sangue manchando seus lábios. "Você ainda não percebeu… mas vai perceber. Daqui a alguns anos."
Ele ergueu o braço ferido, preparando-se para finalizar o ataque.
"Eu—" Seus olhos refletiam o céu negro acima. "Espero… que você tenha a mesma sorte que eu tive. Que encontre a felicidade." Sua voz empalideceu. "Espero que você consiga—"
Seu braço caiu.
Cobel fechou os olhos e nunca mais se mexeu.
O antigo Rei da Muralha permaneceu ali por alguns segundos, depois se virou. O sangue jorrava abundantemente de seus ferimentos, seu corpo exausto ao limite — mas sua mente estava estranhamente calma. Passo a passo, ele caminhou para a floresta, deixando o campo de batalha para trás.
Algum tempo depois, passos apressados ecoaram pela floresta.
"P-Pai?!"
Eli ficou paralisada com a cena diante de si. Sua voz tremeu ao ver a figura ensanguentada caída no chão.
Clara correu para a frente, ajoelhando-se ao lado do marido. No instante em que o reconheceu, perdeu as forças e desabou em lágrimas. Eli a seguiu, chorando incontrolavelmente, incapaz de aceitar que o homem à sua frente fosse realmente seu pai.
Em outro lugar, Jay vagava pelos corredores escuros da nave.
Ao abrir os olhos, deparou-se com nada além da noite. Espreguiçando o corpo rígido, olhou em volta.
"…Pai?"
Sem resposta.
Ele suspirou baixinho. 'Vou procurá-lo. Talvez isso me distraia', pensou, um pouco frustrado.
Enquanto caminhava, ouviu soluços abafados. Ao virar a esquina, encontrou uma menina agachada nas sombras, chorando baixinho.
"O que foi?", perguntou Jay gentilmente. "Por que você está chorando?"
A menina ergueu o olhar, enxugando os olhos. "Eu... eu perdi minha mãe."
"Ah." Jay fez uma pausa e assentiu com a cabeça. "Então vamos procurá-la juntos."
"…Está bem", respondeu ela, embora sua voz estivesse sem energia.
Eles caminhavam lado a lado.
De volta à floresta, o antigo Rei da Muralha finalmente se reuniu com sua família.
Assim que o viu, Eli correu em sua direção e se jogou em seus braços.
"O que foi, querida?", perguntou ele, assustado. "O que aconteceu? Você não estava com sua mãe?"
"Eu me separei dela…"
"Então nós a encontraremos", disse ele suavemente, forçando um sorriso.
Assim que se acalmou, Eli de repente se lembrou de algo. Ela se virou para Jay, que estava a uma curta distância.
"Obrigado por me ajudar a encontrar meu pai."
Jay assentiu com a cabeça, aceitando os agradecimentos, embora uma pequena decepção persistisse — ele esperava reuni-la com sua mãe.
Poul abordou seu filho logo em seguida.
"Você se saiu bem", disse ele, colocando a mão na cabeça de Jay. "Ajudar os outros assim… Estou orgulhoso de você."
Jay hesitou e então perguntou: "Pai... academias existem mesmo?"
"Sim, fazem."
Os olhos de Jay brilharam.
"Mas não são como você imagina", continuou Poul, olhando para o céu. "São lugares feitos para forjar soldados. Fábricas em busca do guerreiro perfeito. Todo homem vai para lá. Eu também fui."
'De qualquer forma, eu acabaria lá... pensou Jay. Interessante. Talvez seja lá que eu descubra meu verdadeiro potencial'.
"E quando alguém pode se juntar a nós?", perguntou Jay.
"Por volta dos dez anos de idade."
Ao ouvir isso, seu entusiasmo diminuiu um pouco.
Os dias passaram.
Eles finalmente chegaram ao seu destino e foram levados para um centro de refugiados. Jay passava os dias sentado embaixo de uma árvore, lendo em silêncio, enquanto Poul — agora alistado — treinava incansavelmente.
As outras crianças olhavam para Jay como se ele fosse estranho.
Certo dia, uma garota de cabelos roxos se aproximou dele.
"É você", disse Jay, surpreso. "A garota perdida."
Ela sorriu.
"O que foi? Não me diga que você se perdeu de novo?", disse ele, preocupado que ela interrompesse sua leitura.
"Você acha mesmo que eu me perderia duas vezes?!"
"Não duvidaria disso."
Ela franziu a testa. "Idiota." Ela se agachou ao lado dele. "O que você está lendo, idiota?"
'Essa garota acabou de me chamar de idiota de novo?' Jay pensou, irritado.
Ela riu.
Jay deu um peteleco na testa dela.
"Ai! Minha linda testa!" ela reclamou, com os olhos marejados.
'Lá vamos nós... agora ela vai correr para os pais', pensou Jay.
Mas, em vez disso, ela o empurrou e começou a bater nele.
Jay olhou incrédulo. Apesar do tamanho dela, ela era surpreendentemente forte. Ele deu um peteleco na testa dela novamente e, em seguida, a empurrou gentilmente para o chão.
Eles começaram a discutir em voz alta.
Enquanto isso, Poul treinava dentro de uma tenda quando alguém o chamou pelo nome.
Ao sair, entregaram-lhe uma carta.
"Obrigado."
Ele abriu.
Era oficial.
Ele agora era um soldado do exército.
Poul sorriu... mas uma emoção desconhecida surgiu em seu peito. Ele não conseguia defini-la. Uma única lágrima escorreu por seu rosto.
