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Chapter 2 - CHPTER 2: The Flight to the House of Hope

O sol mal havia nascido quando Angelo desceu correndo as escadas, arrastando uma mala quase maior que ele. O zíper estava torto, metade de suas roupas caindo pelas laterais, e sua expressão era uma mistura de tensão, excitação e pura energia juvenil.

"Pai! Está tudo pronto!" gritou ele, empurrando a mala em direção à porta.

Esmond apareceu logo atrás dele, passando a mão pelos cabelos, com aquela expressão calma de quem acorda sem pressa porque sabe exatamente o que está por vir.

"Você está muito animado para um convite real", comentou, rindo.

"Uma convocação da Rainha, pai! Isso não acontece todo dia", respondeu Angelo, ofegante, mas sorrindo. "E vamos de carro, certo? Vamos logo antes que essa animação passe!"

Esmond respirou fundo, prestes a dizer algo, quando uma voz familiar veio de fora.

"Hum... Sr. Esmond! O jovem Angelo!"

Sofi — o mensageiro que quase desmaiara ao entregar o convite no dia anterior — reapareceu, desta vez muito mais calmo… mas claramente trazendo más notícias.

"Sinto muito… a culpa é inteiramente minha. Eu deveria ter lhe dito ontem", disse ele, com as mãos juntas em sinal de desculpas. "Não iremos de carro."

Angelo congelou na porta.

"O quê?"

Sofi endireitou a postura.

"A Rainha insistiu que a viagem fosse feita em um jato particular."

O silêncio durou meio segundo.

"UM JATO PARTICULAR?!" Angelo gritou, com os olhos arregalados. "Isso é loucura! Acho que nunca estive em um jato particular na minha vida!"

Esmond deu um tapinha no ombro dele, sorrindo maliciosamente.

"Nunca? Você esteve em um há dois meses."

Angelo piscou, pensou por um momento… e desistiu de tentar se lembrar.

"Ah… reviver faz parte da vida", murmurou ele, com a animação já de volta.

Os três seguiram para o carro que os levaria ao terminal privado. No caminho, Esmond lançou um olhar para a mala improvisada do filho.

"Você tem roupa suficiente aí dentro? Não pode aparecer na frente da Rainha parecendo que acabou de acordar dentro de um vulcão."

"Ei! Não tem nada de errado com o meu estilo!"

Esmond riu maliciosamente.

"E além disso... tem umas moças bonitas no castelo. Não faria mal nenhum parecer um pouco mais apresentável."

Angelo quase tropeçou nos próprios pés.

"Moças? Pai, por favor! Eu tenho quatorze anos! Só quero te vencer um dia. Depois disso... talvez eu pense nessas coisas. Não corrompa a minha inocência!"

Esmond caiu na gargalhada.

Sofi, caminhando atrás deles, observava a cena completamente absorto.

Em seus pensamentos,Reinava a confusão:

Nunca vi nada parecido. Eles são… estranhos. Mas… funciona?

O trajeto até o hangar particular durou apenas alguns minutos.

Quando chegaram, Angelo parou abruptamente. Esmond também parou — apenas para apreciar a reação do filho.

Diante deles estava o jato mais elegante que já tinham visto.

Uma aeronave branca, lisa como porcelana, cortada por linhas amarelas brilhantes que percorriam a fuselagem. O nariz era afiado, quase predatório, e as asas abrigavam motores reforçados — claramente capazes de atingir velocidades muito além do comum.

"Uau...", Angelo quase sussurrou.

"Nada mal", admitiu Esmond.

"Este jato pertence à Frostrion AeroWorks", explicou Sofi, orgulhosa. "Eles prestam serviço direto à Casa Real. A Rainha o mandou preparar exclusivamente para você."

Angelo nem tentou esconder o sorriso.

Esmond pousou a mão na cabeça do filho.

"Vai. Aproveite. Coisas assim não caem do céu todos os dias."

Angelo correu em direção à escada dobrável, subindo dois degraus de cada vez, sem conseguir esconder a empolgação. Esmond o seguiu com mais calma, apreciando a alegria do menino.

Sofi entrou por último, fechando a porta atrás de si.

O jato ganhou velocidade na pista…

…os motores rugiram…

…e em menos de um minuto, estavam no ar.

A paisagem de Luna Lume desapareceu como um mapa dobrado.

Menos de vinte minutos depois — graças à tecnologia supersônica — já podiam ver, à distância, as paredes brancas e brilhantes da Cidade Real Suprema, cercadas pelo suave brilho que sempre anunciava a presença da Casa da Esperança.

"Em direção à Casa da Esperança",

Angelo ainda admirava o jato quando Sofi reapareceu, agora mais apressado do que antes.

"Sr. Esmond! Jovem Angelo!" chamou, gesticulando para a esquerda. "Por favor, sigam-me. À sua esquerda, verão o heliporto. É lá que o helicóptero que nos levará à Casa da Esperança está esperando."

Angelo se virou, curioso… e seus olhos brilharam.

No centro do heliporto repousava um helicóptero elegante e moderno, pintado de vermelho escuro, com detalhes dourados contornando as portas e os rotores. Seu brilho metálico refletia a luz do sol de forma quase majestosa.

"Bem... o helicóptero é bonito", disse Angelo, aproximando-se lentamente.

De fato, era. Mas havia algo que chamava ainda mais a atenção:

um par de pequenos canhões posicionados logo abaixo da cabine.

Angelo franziu a testa.

"Espere... canhões?", disse em voz alta. "Estamos esperando alguma turbulência...?"

Antes que pudesse terminar a frase, Sofi ergueu um dedo.

"Não, jovem Angelo! Não se preocupe. Esses canhões fazem parte da nova frota que a Rainha está desenvolvendo. São apenas medidas de segurança. Fique tranquilo — voaremos por uma zona segura. Não haverá ataques."

Angelo abriu a boca para responder,Mas Esmond passou um braço em volta dos ombros dele e disse num tom exageradamente sério:

"E mesmo se alguém nos atacar... nós simplesmente saltaremos de paraquedas."

Angelo virou-se lentamente para encará-lo, olhando fixamente como se estivesse diante de uma criatura completamente absurda.

"O quê?" perguntou, com os olhos arregalados. "Pai... às vezes você diz coisas que não fazem o menor sentido..."

Esmond riu alto.

"Relaxa, relaxa! Eu estava só brincando!"

Atrás deles, Sofi suspirou baixinho — claramente acostumada, mas nunca preparada, para o peculiar senso de humor dos Orsons.

Os três finalmente subiram a escada lateral e entraram no helicóptero. O interior era espaçoso, com assentos de couro escuro e amplas janelas que permitiam uma visão completa dos arredores.

Assim que se acomodaram, os rotores ganharam vida, girando até se tornarem um disco transparente.

Com uma leve elevação, o helicóptero deixou o heliporto...

...e subiu aos céus, movendo-se rapidamente em direção ao imponente castelo da Casa da Esperança.

O helicóptero diminuiu a velocidade, cortando o ar suavemente até tocar o heliporto com um balanço quase imperceptível. Assim que a porta lateral se abriu, Angelo foi o primeiro a saltar para fora.

O ar quente da cidade real atingiu seu rosto.

Ele ergueu a cabeça…

…e o castelo preencheu sua visão.

"Uau…", murmurou, quase sem se dar conta. "Não é a primeira vez que venho aqui… mas é sempre bom ver este castelo."

Esmond, saindo logo atrás dele, sorriu orgulhoso ao ver a reação do filho.

À frente deles, a Casa da Esperança erguia-se com uma presença imponente que parecia atravessar eras. Era antiga e moderna ao mesmo tempo, harmonizando estilos que, em teoria, jamais deveriam funcionar juntos — mas ali, funcionavam.

A estrutura principal lembrava castelos clássicos de mitologias antigas: torres altas, muralhas brancas, estandartes tremulando ao vento. Mas no centro havia algo que nenhum castelo comum possuía:

uma colossal coluna circular, branca como mármore, inspirada no antigo Templo de Jerusalém.

Seu topo era arredondado, como uma cúpula perfeita, brilhando sob o sol.

Tudo isso contrastava com a ala moderna à direita: paredes de vidro especiais, estruturas metálicas elegantes, linhas retas e curvas que pareciam desafiar a engenharia tradicional. Era uma fusão arquitetônica tão estranha quanto bela.

Os jardins ao redor completavam a vista: árvores meticulosamente podadas, fontes cristalinas, flores dispostas em padrões geométricos visíveis apenas de cima. Angelo absorvia cada detalhe, encantado.

Enquanto isso…

"Nnnngh…!"

Atrás deles, Sofi lutava desesperadamente para carregar a mala de Angelo. Parecia tão pesada quanto chumbo. Ele agarrou a alça, puxou, seu corpo inclinou-se perigosamente para trás… quase caiu… mas conseguiu dar um passo.

Um único passo.

O que parecia consumir toda a sua alma.

"Tá bom... só... só... mais trinta metros..." disse ele, completamente exausto.

Mais um passo. Depois outro. Cada um uma jornada de dor e sofrimento.

Finalmente, ele largou a mala, ofegante, quase caindo de joelhos.

"Isso é impossível... isso... isso pesa uns quatrocentos quilos..."

Dois guardas do castelo viram a cena e correram para ajudar. Mesmo com três pessoas, mover a mala exigiu um esforço considerável — o que só aumentou a confusão de Sofi, que pensou:

O que será que esse garoto carrega aqui? Pedras? Armadura? Um meteorito?

Angelo nem percebeu. Continuou olhando fixamente para o castelo, com os olhos brilhando.

"Bem... espero que finalmente consiga ver a Rainha desta vez", disse ele, animado.

Esmond deu uma risadinha.

"É. Você nunca a viu de verdade. Espero que desta vez seja diferente."

Angelo estufou o peito.

"Será! Mesmo que eu tenha que entrar no salão real e vê-la pessoalmente!"

Esmond se virou rapidamente.

"Calma aí, guerreiro! Você não pode simplesmente invadir o salão real!"

Angelo riu.

"Eu sei, estava brincando. Mas eu realmente quero vê-la."

Esmond bagunçou os cabelos dele carinhosamente.

Com Sofi atrás deles, praticamente arrastada pelos ajudantes — e a mala carregada como se fosse um artefato amaldiçoado impossível de mover — os três seguiram pelo amplo corredor de mármore que levava ao castelo.

As enormes portas de entrada se abriram…

…e eles cruzaram o limiar, entrando oficialmente na Casa da Esperança.

Assim que passaram pelas portas gigantescas, Angelo sentiu o ar mudar. Não era apenas a temperatura — era como se a própria atmosfera carregasse história. O interior do castelo era ainda mais grandioso que o exterior.

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