LightReader

Chapter 8 - capítulo 5 o último pensamento

 William olhou para Est. O brilho prateado nos olhos do garoto estava começando a falhar; as veias em seus pulsos estavam acesas com uma luz azulada, sinal de que o corpo humano de Est estava atingindo o limite de saturação. Dunk tinha razão: Est era o condutor, mas o condutor estava prestes a derreter.

— Se fizermos isso — sussurrou William, a voz embargada —, não haverá volta. O pulso vai limpar os servidores da Symphony, mas também vai limpar a nossa frequência. Quando acordarmos, se acordarmos... seremos estranhos.Est sorriu. Era um sorriso de uma beleza triste, o sorriso de quem finalmente entendeu seu propósito. Ele levou a mão de William ao seu próprio coração.

— Deixe que apaguem nossas memórias, William. Eles não podem apagar a música. Mesmo que eu não saiba seu nome, meu silêncio sempre vai procurar o seu barulho. Em qualquer vida. Em qualquer mundo.

Dunk percebeu a mudança de energia tarde demais.

— O que estão fazendo? Parem! Vocês vão fritar o núcleo central!

— Não — disse Est, olhando para o Dunk natchai com desprezo. — Nós vamos libertar o som.

William puxou Est para um abraço final, esmagando-o contra o peito. Ele parou de tentar controlar o caos. Ele abriu todas as comportas de sua alma. A frequência negra, a tempestade, o ruído ensurdecedor — tudo fluiu para dentro de Est.

Est por sua vez não tentou filtrar. Ele se tornou um espelho. Ele refletiu a energia de William de volta para o núcleo da sala, amplificada mil vezes pela sua própria vontade de proteger o homem que amava.

O ar na sala começou a se rasgar. O metrônomo de Thorne explodiu. As cápsulas de criostase ao redor começaram a vibrar até racharem.

— AGORA! — gritou Est.

Eles se beijaram uma última vez. Não foi um beijo de despedida, foi um detonador.

Uma luz branca, absoluta e pura, engoliu o Grande Auditório. O pulso de "Amor Dissonante" disparou pela Torre da Sinfonia, subindo como um raio invertido para o satélite global. Em cada canto do planeta, os implantes nos ouvidos das pessoas estalaram e silenciaram. 

O controle acabou. A música forçada morreu.

No epicentro da explosão, William e Est sentiram suas consciências se desfazendo. As lembranças do primeiro toque, da cela de vidro, do observatório sob a lua... tudo foi levado pela onda de choque branca.

O último pensamento de William foi a cor dos olhos de Est.

O último pensamento de Est foi o calor da mão de Wil

liam.

E então... o nada.

More Chapters