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Chapter 2 - Capítulo 2: O Pátio das Ressonâncias

O arco de luz se fechou atrás de Arin com um som que lembrava um suspiro metálico.

Por um instante, o mundo desapareceu.

A pressão estourou contra seus tímpanos, o estômago virou, e então a realidade voltou de uma vez — violenta, fria, esmagadora.

O ar da Academia não era como o de Porto-Sereno. Tinha gosto de ozônio e hortelã, tão gelado que queimava a garganta ao entrar. Arin cambaleou para frente, as botas de couro gastaram batendo contra um chão que pareciam feitas de obsidiana viva.

Não exato segundo em que seu peso tocou o chão, algo reagiu.

Uma mancha alaranjada, irregular e assustadora, permanece sob seus pés como tinta jogada na água. O chão pulsou.

— Droga… — Arin arfou, o coração disparado.

O ritmo frenético dentro do peito ecoava no piso abaixo dele, como se o lugar estivesse escutando cada batida.

Seus joelhos cederam.

Antes que caísse, uma mão firme agarrou seu antebraço.

A força não era agressiva — era absoluta. Incontestável. Como se um pilar tivesse decidido segurá-lo.

— Respire — disse uma voz grave e estável. — Se lutar contra a ressonância, o pátio vai tentar te expulsar.

Arin os olhos.

O rapaz à sua frente era alto, de ombros largos, pele marcada pelo sol de quem vive ao ar livre. Os cabelos loiros estavam cortados rentes, e os olhos verdes tinham uma clareza quase desconcertante.

Toren Brak.

Diferente de Arin, o chão sob ele era um círculo perfeito de azul cobalto profundo. Estável. Silencioso. Imóvel.

Toren parecia… ancorado.

— Obrigado — Arin disse, recuperando o equilíbrio.

Ao se afastar, notou a pulseira de couro no pulso de Toren, adornada por um pequeno pingente de ferro — um Símbolo Vivo, embora ele ainda não saiba disso.

— Ele está em dissonância total.

A voz feminina cortou o ar como vidro refinado.

À direita, encostada em uma coluna de mármore flutuante, estava Lysa Noct.

Ela usava o uniforme cinza da Academia com precisão cirúrgica. Nenhuma dobra fora do lugar. Os cabelos negros estavam presos em um coque rígido que repuxava seus olhos amendoados, dando-lhe um ar de vigilância constante.

Em sua mão, um pequeno cubo de cristal projetava fórmulas matemáticas no ar.

— Emoções não processadas — disse ela, sem olhar para Arin. — Frequência base em 440 hertz, oscilando para o caos.

— Ele é um risco estrutural, Toren. Se entrar em colapso, pode rachar o nexo do pátio antes mesmo da primeira aula da Mestra Althea.

O chão sob Arin brilhou mais forte.

— Eu estou bem aqui na sua frente — ele rebateu. — E meu nome é Arin.

A laranja sob seus pés escureceu, quase vermelha.

Lysa finalmente demorou o olhar. Seus olhos não tinham desprezo comum — tinham desdém intelectual.

— Seu nome não importa para o Véu — respondeu. — O que importa é que você é um incêndio ambulante.

— E eu prefiro não perder minhas anotações por causa da sua falta de controle.

— Ah, deixe o garoto em paz, Lysa. Você é tão divertido quanto uma pedra de gelo.

A risada que acompanhava a frase era leve, quase musical.

No centro do pátio, sentado com as pernas cruzadas, estava Mirela Fae.

Ela era menor que os outros, com pele cor de ébano que brilhava sob a luz mutável do lugar. Seus cabelos eram uma nuvem de tranças adornadas com pequenas contas de vidro, que tilintavam suavemente quando ela se movia.

Ao redor dela, a realidade parecia… brincar.

Pequenas esferas de luz flutuavam como vaga-lumes curiosos — fragmentos de criaturas, Arin observava instintivamente. Sob Mirela, o chão formou um caleidoscópio de violetas e dourados, mudando conforme seu sorriso.

— Oi, Incêndio — ela disse, piscando para Arin. — Eu sou a Mirela.

— Não liga para o estrategista ali. Elau esquece como é sentir o cheiro das cores.

— O cheiro das… cores? — Arin franziu a testa.

— Seu coração faz um barulho engraçado — Mirela contínua, apontando para o peito dele. — Parece um pássaro batendo asas contra grades de ferro.

— Você está com medo de quê? Aqui é o único lugar onde dá para ser esquisito em paz.

Arin abriu a boca para responder.

Então o ar esfriou.

O brilho violeta e dourado de Mirela descobriu. O azul de Toren perdeu intensidade. A luz parecia ser doce para um único ponto.

No canto mais sombrio do pátio, onde as sombras das colunas se fundiam, alguém observava.

Kael Umbra.

Ele era pálido, com olhos profundos que denunciavam noites sem sono. Um sorriso cínico estava em seus lábios como se nunca saísse dali. Vestia roupas escuras e gastas, as mãos enterradas nos bolsos.

Mas nada chamava mais atenção do que o chão sob seus pés.

Não havia cor.

A obsidiana ali era cinza, opaca, morta — como cinzas de uma fogueira extinta. Não reflete luz. Uma consumia.

— Mais um sentimental — disse Kael, com tédio venenoso. — Espero que você dure mais que o último que a Althea trouxe.

— O cheiro de alma queimada demora semanas para sair dos corredores.

O silêncio caiu pesado.

Toren deu um passo à frente, seu corpo formando uma barreira natural entre Kael e Arin.

— Kael. Já chega.

— Só estou sendo realista, Guardião — Kael deu de ombros, saindo das sombras. Seus olhos castanhos eram tão escuros que pareciam vazios. — A Academia não é um lar.

— É um grão. Ela cobra coerência.

Ele inclinou a cabeça, observando o chão laranja sob Arin.

— E quem não tem o que pagar… vira decoração de jardim.

— O seu já está trincando, novoto. Tente não explodir antes do jantar.

Kael se atrasou, deixando um rastro de frio.

Arin especiar para baixo.

Sob o brilho laranja, havia uma fissura.

Pequena. Quase invisível.

Mas real.

A Academia não era apenas um novo lugar.

Era um lugar que o estava medindo.

E, pela reação de Lysa…

e pelo século de Kael…

Arin não tinha certeza se queria descobrir o resultado.

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