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Chapter 4 - Dia do Back to Time - PARTE 2

Estava tentando parecer o mais confiante possível, mas a situação era mais complicada, ainda mais com esse detalhe adicional da mulher, a vida dela também tá com tempo contado e o relógio em seu pulso é um marca-passo que pode explodir várias bombas se o coração parar de bater, o fato de não saber se o tempo que ela tem é a mesma que a dos reféns é preocupante. Eu já retiro uma ampola e uma seringa de dentro do cabo da espada, preciso ser rápido e cauteloso, mirando na veia, acabo tirando seu sangue, a minha inteligência artificial pode analisar e identificar o tipo de veneno que estamos lidando, coloco o sangue na ampola, e então o processo começa, o sangue mistura a um reagente que age de forma diferente a cada tipo de veneno, o acônito fica com a cor roxa, a ricina fica de cor azul, curare fica verde e enfim, existe uma cor diferente para todo tipo de veneno. E o quê esse cara usou, foi um belo de um arco-íris, tem cinco tipos diferentes de venenos misturados em um apenas, o grande problema é o tempo, o antídoto pode não ficar pronto a tempo, e mesmo que fique, precisará que a quantia seja o suficiente para todos. Esse cara planejou tudo muito bem, e agora me sinto perdido, talvez eu não consiga salvar, mas não posso aceitar isso, seja isto realidade ou ficção, esse acontecimento pode vir a me marcar. Existe o quê eu quero e a realidade, o meu desejo é que todos possam voltar pra casa, mas infelizmente as chances disso acontecer são mínimas.

 - Preciso dizer que estou decepcionado - uma voz saiu da marcará. - Você já foi incrível. E então decidiu virar um herói e veja aonde estamos agora. Todas essas pessoas vão morrer porque você é incapaz de salvar elas.

Eu percebi o sistema de som do lado esquerdo da máscara, onde saia a voz do meu inimigo, o cara já devia estar bem longe e acompanhando o que estava acontecendo, isso me deixa frustrado, mas não posso transparecer, ou posso acabar entrando em seu jogo. Todos estão começando a parecer mais fracos, alguns estão tendo dificuldades pra respirar, outros parecem estar com a boca seca, tem aqueles que cospem sangue, e reparando nos diferentes sintomas, existem duas hipóteses, uma é que o veneno está agindo de forma diferente em cada pessoa ou elas engoliram venenos, isso só complica mais ainda. O quê eu faço? A cada segundo é um tempo a menos da vida e a chegada da morte. O meu inimigo é o tempo. Se conseguisse uns minutos a mais, se pudesse voltar no tempo, talvez deixar lento, mas sou apenas um humano sem poder nenhum. Preciso de tempo, isso é tudo que eu preciso. Tempo, tempo e TEMPO. Espera eu tenho isso, aquele garoto estranho que me deu o relógio, e essa epifania não é à toa, tanta coisa que poderia pensar, e penso justamente no estranho e no seu presente. Se existe uma chance dele ser meu criador, e o quê ele me deu ser algo que eu preciso utilizar nessa história, então o tempo é o quê mais importante, e o presente que ele me deu é um relógio. Eu acabo rindo da ideia

 - Você quer mesmo que eu viaje no tempo? - eu perguntei.

Então o garoto estranho aparece, mais uma vez ele parece diferente, as suas vestimentas não estão igual antes, mas o quê importa é que ele apareceu do nada e apontando o dedo pra mim.

 - Pode apostar nisso, meu chapa - falou empolgado. - Eu quero que você mexa com o Continuo Espaço-Tempo.

 - Vai ficar aparecendo assim do nada? E quem é você de verdade? Você me deve muitas respostas.

 - E você vai ter - ele falou. - Mas não agora. Já está meio tarde e preciso dormir.

 - O quê isso quer dizer?

 - No meu mundo já são duas e quarenta e seis da manhã - ele falou. - Infelizmente preciso dormir pra acordar cedo pro trabalho.

 - Me diz o quê preciso fazer antes de sumir de novo, porra.

 - Ah sim - ele colocou a mão na testa e esfregou. - Você precisa quebrar o relógio doze vezes. Nem a mais e nem a menos.

 - Tem mais alguma coisa pra me dizer? - eu perguntei.

Ele sorriu 

 - Você é um dos meus personagens favoritos.

 - O quê isso quer dizer?

 - Boa noite - foi a última coisa que ele disse antes de sumir através de uma névoa.

O cara cria toda essa aura de mistério pra quê, acredito que não seria o único a ficar cansado com indivíduo assim, o tipo que fala pouco e o quê fala não tem sentido. E posso jurar que ouvi ele falar agora na minha cabeça dezoito e vinte e sete. O quê séria isso? Um código? Um horário? Algo nada haver com nada? Quer saber de uma coisa, estou pouco me lixando agora, preciso fazer três coisas, quebrar um relógio doze vezes, fazer uma parada envolvendo o tempo e salvar as pessoas. O relógio saí do meu bolso, levitando levemente no ar e para na minha frente, ninguém parece reparar o relógio flutuante, percebo que todos estão congelados, totalmente imóveis como estátuas, esse efeito vem do relógio, o quê ficou mais claro quando aparecer letras verdes brilhantes, e que tinham a seguinte inscrição: VOLTAR NO TEMPO? QUEBRE O RELÓGIO 0/12 VEZES.

Ainda achava que aquela de longe era uma boa idéia, o tempo devia seguir de uma forma única, mas se jogar essa regra no lixo vai salvar essas pessoas, então que se resolva depois essa bagunça temporal que for criar, um movimento rápido e minha katana corta fortemente o relógio, as primeiras batidas sai um líquido verde que sobe pra cima e se espalha pelo ambiente, acima eu consigo ver QUEBRE O RELÓGIO 5/12 VEZES, quanto mais eu batia, ainda mais liguido verde saía, estava 11/12 e faltando só mais um golpe, e no último golpe, o líquido se espalhou por todo o banco. Eu me senti como se tivesse no fundo do mar, e ainda conseguisse respirar, percebi que isso se espalhou bem além do banco, isso estava se espalhando rapidamente por todos os cantos, até onde era o seu limite, isso não consigo dizer.

 - Mas eu posso dizer - a voz do garoto veio na minha cabeça. - Toda a Terra vai ser coberta com essa magia. E vamos este Mundo pra além da velocidade da luz, este líquido vai proteger a terra do evento, além de mandar para um pouco no passado, ao invés do futuro, o quê seria normal.

 - E as consequências? - perguntei.

 - Algo a ser explorado em uma próxima história - ele respondeu. - Vamos nessa.

Ele sentiu como se seu corpo tremesse e viajasse sem sair do lugar, enquanto tudo ao seu redor parecia ir em direção oposta. Como se alguém tivesse colocado um filme da vida real pra tocar ao contrário, o herói conseguia ver a máscara voltando pro rosto da mulher, e novamente a trocação de golpes de espadas, a pessoa apertando o botão, colocando o dispositivo de volta no bolso. Ele percebe quando tiros são feitos contra ele e sua defesa perfeita o protege, o líquido parece que está cada vez mais sumindo, o tempo só para no exato momento em que o relógio de bolso é entregue.

E é aqui que termina a viagem do tempo.

E as ramificações? Realidades paralelas? Outras linhas do Tempo?

Não se preocupe com isso agora.

Você pode me dizer qual vai ser a outra realidade?

Se é o quê deseja - ele diz. - Na outra realidade. Você sintetiza a cura em aerosol e aplica em todos. A maioria acaba sendo salva, mas ocorrem algumas baixas.

A imagem das pessoas morrendo acabam vindo na minha mente, e uma sensação de fracasso acaba me tomando, mesmo que tal evento tenha ocorrido em outra linha temporal, estava ajoelhado e segurando o cabo da espada, como se buscasse apoio para me levantar. E ver tal cena foi terrível, sei que posso errar, mas faço de tudo pra ninguém sair na pior, então falhar é quase insuportável, mas esse fim não vou aceitar. Tenho um poder do tempo e um garoto estranho/criador que controla essa realidade, preciso fazer com que essa linha do tempo deixe de existir.

Eu sei o quê você está pensando - acabo escutando.

A imagem se dissipa e me traz de volta.

E você pode fazer? - perguntei a ele.

Bem... talvez...a ideia do clone.

Você vai me clonar?

Uma ideia que pensei por meses - disse ele. - Clone Temporal e um Loop. Eu vou criar um Clone seu que vai repetir todas as suas ações até neste exato momento, e farei um Clone dele e assim por diante.

E a outra linha temporal?

Se torna inexistente.

E quanto aos meus clones? - percebi que sua ideia tinha algumas falhas. - Eu posso me encontrar com eles e pode ter algum desses problemas temporais.

Seus Clones vão seguir seus passos até determinado ponto, depois disso vão seguir caminhos diferentes.

Isso…

Pode ser um problema - ele completou. - Mas acho que você ainda não entendeu uma coisa.

Que você controla a fodenta realidade - disse a ele. - Esse discurso eu já ouvi antes.

Não fale desse jeito - ele parecia estar incomodado. - Esse mundo é minha fulga de realidade, pois aqui sou mais que um sujeito simples. Não sabe o quê eu faria pra ser como você no meu mundo.

Ele tá dizendo que inveja a minha vida? Só pode estar brincando com minha cara, esse cara provavelmente nunca enfrentou um inimigo mortal, já cheguei perto da morte, se a vida dele é normal, então ele nem tem ideia do quê…

Está desejando - ele completou minha ideia de novo. - Apenas desejo ser mais, todos tem uma fantasia. E apenas aqui eu sou mais. Você é um personagem foda. E eu sou um número no mundo. Mas neste Universo...esse Universo...você entende?

O quê é pra entender? - perguntei.

Uma aura de poder se fez presente nele, já estive perto de muitas emanações de poder, mas nunca uma tão intensa, tudo ao redor parecia vibrar.

ESSE UNIVERSO É MEU - ele gritou e uma energia dourada emanou de suas mãos. - E MINHA PALAVRA É LEI.

Ele bateu as mãos e uma energia se espalhou por toda a parte, senti uma força me dividindo como se fosse cortado pela metade, durou questão de segundos, e logo estava com um réplica exatamente igual a mim ao lado, a única diferença é que parecia estar dormindo.

E assim está feito - o estranho parecia mais calmo. - Vai lá e eu vou ficar aqui pra resolver umas tretas temporais.

Valeu e me desculpa por qualquer coisa, talvez tenha exagerado. Só podemos imaginar a vida um do outro. Nenhum de nós devia julgar nossas realidades.

Tem toda razão - disse pensativo. - A propósito, saiba que você tem um fã no meu mundo.

Isso acabou me animando, por algum motivo imaginei um poster com meu rosto sendo colocado num quarto.

E pra quem devo meu autógrafo? - perguntei a ele.

O nome dele é Adauto Gui - respondeu. - Pelo menos tá assim no Face.

Eu já gostei dele.

Já sei o quê vou fazer, esse é o momento que preciso da quarta parede, estou apontando pra você, o chamado Adauto Gui, espero estar apontando na direção certa, só posso agradecer por ser meu fã. Talvez eu possa ter mais fãs? Vou imaginar um pouquinho, ainda tô apontando pra quem tá acompanhando a história.

Valeu a todos que acompanham minhas aventuras - e estou falando é com você mesmo. - Vocês são fodas. 

Pronto pra terminar a história? - o criador perguntou.

Uma história nunca termina de verdade - respondi a ele. - Parte Quatro, Cinco e muito mais.

Ele pareceu gostar do quê ouviu

Entra lá e acabe com o otário - ele então só deu um meio sorriso.

O quê houve?

Ele olhou pra baixo, evitando olhar em minha direção.

Você não é o único que odeia perder.

O quê quer dizer com isso? - perguntei preocupado.

Vai logo - respondeu ele. - A história já tá muito longa.

Ele despareceu mais uma vez, fazendo de novo o lance de ser Mestre dos Magos, mas o quê me importa agora é salvar essas pessoas, ligo novamente a IA da minha espada. E a Inteligência Artificial da minha espada faz várias perguntas, só dou um resumo rápido e prometo responder tudo depois, deixo ativo a Lâmina Fantasma. Entramos e tudo acontece como antes, assim que abro a porta do banco, a minha recepção é uma chuva de balas AK-47, o máscarado me vem com elogios, papo vai e vem, tento repetir exatamente as palavras que disse antes e tudo pra chegar onde sei exatamente o quê ele vai fazer.

Então já bolou um plano pra me deter? - perguntou pra mim. - Permita deixar a situação mais interessante.

E ele joga sua arma, mas antes que ele tenha a chance de pegar o dispositivo no bolso, a Lâmina Fantasma entra em cena, a sua função é criar qualquer tipo de arma a partir de Luz Solida que é projetada do Cabo, e Luz Solida é tipo uma mudança de estado, água normal fica dura no gelo, luz normal ao passar pela função de Lâmina Fantasma deixa ser intangível e passa a ser tangível, e vou acertar ele agora com uma agulha de luz sólida, posso controlar a direção da arma.

Permita a mim deixar as coisas interessantes.

A agulha atingiu em cheio o alvo, entre o dedo indicador e o polegar, e o efeito é imediato.

O quê tá acontecendo? - pergunta incrédulo. - Não consigo mover este corpo.

São chamados Pontos de Pressão - comecei a me mover. - Experimenta espetar com umas agulhas de vez em quando. Efeitos variados.

Você paralisou meu braço - disse com voz disfarçada. - É só usar o outro.

Ao tentar mover o outro, acabou se frustando com a tentativa.

O outro braço está mole.

Mole demais pra se mover direito? - perguntei sorrindo. - Efeito em cadeia te fode bonito. Conte até dez.

O quê? Porque a cabeça tá balançando.

Talvez seja porque ela tá sentindo sono, os efeitos são bem rápidos.

Como você sabe que é uma mulher? - perguntou surpreso.

É mesmo - fiquei coçando a cabeça em busca a resposta. - Essa é uma boa pergunta. A resposta é que foi um chute.

Todos os reféns foram embora, depois que dei o antídoto certo pra todos, levantei a moça que dormi por causa da acupuntura que apliquei, e peguei a máscara com a outra mão, quando estava prestes a ir embora, a voz da máscara saiu.

Você acha mesmo que ganhou? - perguntou pra mim.

Isso me deixou alerta.

Um assalto no banco e você nem conferiu o cofre. Isso é coisa de amador.

Eu deixei a moça no chão e disparei em direção ao cofre, quando cheguei no cofre, o quê vi foi a mensagem mais criativa e brutal que já vi, vários corpos mortos, espalhados em cada canto e cada um estava com placas, placas que continham palavras que não estavam em ordem, mas juntando todas dava a mensagem clara.

Acredito que já esteja no Cofre - a voz saia da máscara - Pode ler minha declaração? Eu posso ler se você quiser.

Cala a boca 

Mesmo quando No Name ganha - ele começou a dizer a mensagem. - No Name perde. No Name. No Name. No Name. O quê vai fazer com o seu fracasso?

Eu vou te encontrar.

Usei cada pessoa morta pra segurar essas palavras e roubei milhões - continuava dizendo. - Eu sou melhor que você. Eu te superei. TE SUPEREI. EU VOU GA…

Antes que terminasse de falar, joguei a máscara e num movimento rápido, cortei pela segunda vez, a diferença é que foi na diagonal, a máscara caiu e se separou nas duas partes, fiquei refletindo até que me lembrei.

Agora entendi - falei pra mim mesmo. - Não é o único que odeia perder. 

Eu olhei pra cima furioso.

Sei que você está aí. Aparece Aprendiz de Mestre dos Magos

O teto começou a se pintar sozinho, como se tintas coloridas sempre estivem escondidas e formaram um rosto que eu conhecia bem, a diferença era que ele estava de bigode e cavanhaque.

Acertou - disse ele. - Estou bem aqui.

Aquela viagem no tempo foi em vão!? - gritei.

Veja bem - ele levantou o dedo. - Eu precisava de um vilão a sua altura. Então ele é bem parecido com você, tem seus truques e inteligência.

É melhor torcer pra gente nunca se encontrar cara a cara - estava muito pistola. - Eu posso fazer alguma loucura.

Você precisa aceitar que não dá pra vencer todas.

O Criador pode fazer eu vencer todas - eu rebati. - Esse Universo é seu. Será que esqueceu?

Realmente eu posso fazer isso - foi sua resposta. - Mas então qual é graça de deixar tudo de mão beijada. O desafio é que faz a gente querer evoluir

E meu desafio é derrotar esse vilão, né?

Correto.

Eu respiro fundo, as emoções não podem me controlar, também acredito que ele não sentiria dor se batesse no teto.

Talvez eu pudesse sentir.

Para de ficar na minha cabeça - reclamei. 

Se te serve de consolo - ele falou. - Prometo que ele vai tomar uma surra épica

Isso me animou - o sorriso não pode escapar. - Quando vou poder enfrentá-lo?

Vai demorar um pouco. Tem muitas coisas vindo e são coisas incríveis.

Ele olhou pra cima e sorriu 

Entre Mundos.

A imagem dele sumiu e o quê restou foi o seguinte:

FIM

 DA

 PARTE 

 TRÊS 

 OU

 PODE SER ESSE 3?

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