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Chapter 2 - Arco1 - A Caçada, Edição 2: A Fuga e o Anjo

"Anteriormente, em A Caçada...

Uma preguiça transformada em arma viva.

Um laboratório que esconde monstros atrás da palavra 'vacina'.

Uma repórter infiltrada, um cientista obcecado, um bilionário que compra o silêncio do mundo.

Lá fora, a cidade grita. Lá dentro, a ciência sussurra coisas que ninguém deveria ouvir.

Agora, a rua e o laboratório vão colidir.

O que era investigação vira guerra.

O que era experimento ganha dentes, garras... e consequências.

Bem-vindo à Edição 2 de A Caçada.

A partir daqui, ninguém sai ileso."

Página 1 - Ecos da Revolta

Em meio ao caos crescente, Fernando tocou o comunicador em seu ouvido, o rosto impassível.

— Senhorita. Perímetro violado. O "circo" chegou.

No laboratório, na cena do interrogatório, Adriele ouviu a mensagem, mas seus olhos azuis continuaram fixos em Vanessa.

Adriele (no comunicador):

— Ciente. Segura a onda que eu já desço.

Dr. Marcos, que estava saboreando o momento, agora parecia genuinamente preocupado.

Dr. Marcos (Arrogante/Impaciente):

— Qual é o problema agora? Interrupções atrapalham o fluxo, Adriele...

Adriele continuou olhando para Vanessa, o tom apreensivo.

(Virando para Vanessa com um sorriso sádico):

— Parece que você tem fãs, repórter... A "turma do barulho" tá no portão.

Pela primeira vez desde sua captura, um brilho de esperança surgiu nos olhos de Vanessa.

Ela sussurrou a palavra como se fosse uma salvação.

- Manifestantes !!!!...

Em contraste direto, o rosto do Dr. Marcos.

A preocupação se transformou em ódio puro, os dentes cerrados.

Dr. Marcos (Rosnando, ódio elitista):

— Essa raça... Eco-terroristas de merda.

Na suíte luxuosa da mansão, Mauro Magnus, ao lado da cama, recebe uma ligação e olha no visor.

(Atende sem alterar a voz, tom de tédio perigoso):

— Espero que o mundo esteja acabando para você me ligar a essa hora.

Uma voz femina responde.

— Chefinho, temos visita. O portão principal virou palanque..

Foi a pior informação que ela poderia dar ao telefone.

Página 2 - Doce Veneno

Magnus falava ao telefone em sua luxuosa mansão. Sua expressão era de um tédio frio, como se estivesse ordenando a remoção de um lixo comum, e não de seres humanos.

— Adriele, essa gritaria na frente do meu Laboratorio é de uma vulgaridade atroz...

— Higienize a área. Disperse essa "micareta" de desocupados. Agora.

No corredor do laboratório, Adriele estava em movimento, focada, respondendo ao chefe com eficiência militar.

— Copiado, Chefe. O Gigante e a tropa de choque já estão no portão de Entrada.

— Tô descendo pra assumir a linha de frente. Ninguém passa.

E então, a voz dele mudou. Tornou-se doce. Macia. Puro veneno psicológico.

— Minha querida... você sabe como eu prezo pela competência..

A voz doce que mata. Mauro ameaça a integridade física dela

Se um único marginal desses entrar... eu vou mandar te empalhar para decorar meu escritório. Fui claro?

A máscara de confiança de Adriele se quebrou.

Pela primeira vez, havia medo em seus olhos.

Uma gota de suor escorreu de sua têmpora.

Sua resposta foi gaguejada, e o ronronar que escapou era um som de pavor, não de prazer.

- C-claro... S-senhor Mauro... N-não vai t-ter erro...

— Rrrrhhnnnn...

Magnus desligou o celular, o rosto contorcido em uma expressão de puro desprezo.

— Que coisa grotesca. Detesto quando ela faz esse barulho de bicho..

Adriele se recompôs instantaneamente.

O medo foi guardado em uma caixa de ferro em seu interior, e a comandante assumiu o controle.

Falou em seu comunicador, a voz agora firme, alta e implacável.

— GERAL NA ESCUTA! TRANCA TUDO!

— Quero vigilancia pesada nos setores críticos! Se passar uma mosca, eu arranco a cabeça de vocês! SEGURANÇA, OLHO NA TELA!

Página 3 - Onde a Pedra Beija o Ar

Narrador ("Acabou a retórica. Os cartazes viraram lixo no chão. No Brasil, a diplomacia tem prazo de validade curto... ela expira no exato segundo em que a primeira pedra beija o ar.")

Não há mais discursos. Não há mais cartazes. O diálogo acaba onde a primeira pedra voa...

Uma imagem grandiosa, caótica e terrível.

Ativistas (Gritos de rua):

· "DERRUBA ESSA MERDA!"

· "ASSASSINOS!"

· "VEM! VEM SE FOR HOMEM!"

Seguranças (Comandos secos):

· "MANTENHAM A LINHA!"

· "RECUAR NÃO É OPÇÃO!"

· "DISPERSAR! DISPERSAR!"

Em frente aos portões monumentais dos Laboratórios Magnus, duas forças colidiam. De um lado, a onda humana dos ativistas — uma explosão de cores, fúria e idealismo, armados com paus, pedras e a força da convicção. Do outro, a muralha negra dos seguranças de Fernando — uma linha disciplinada de escudos, capacetes e cassetetes, impenetrável e sem rosto.

Narrador (Não é mais sobre ideologia. É física pura. A massa humana colidindo contra o muro de escudos pagos. Carne contra polímero.)

O primeiro impacto acabara de acontecer.

Paus se quebravam contra escudos. Corpos eram arremessados.

Era o momento exato em que um protesto morria e uma guerra nascia.

Narrador ("...Foi o momento exato em que o protesto morreu. O que sobrou tem cheiro de gás lacrimogêneo, som de fratura exposta e o gosto amargo de guerra civil."

Página 4 - Cortina de Fumaça, Halo de Sangue

Um close-up sujo e visceral. O rosto de um ativista, jovem, com o nariz sangrando, gritando em um misto de dor e raiva enquanto arremessava um tijolo.

— SEUS FASCISTAS DE MERDA!!

— SAI DA FRENTE!!

KRAKK! (Impacto no capacete)

O tijolo se estilhaçou contra o visor do capacete de um segurança, que nem sequer recuou.

Ele respondeu com um golpe preciso de cassetete no ombro do ativista.

THWACK! (Resposta seca do cassetete)

No coração do caos, Herika tinha o rosto manchado de fuligem e suor, mas seus olhos queimavam com uma luz febril. Ela puxou o pino de uma bomba de fumaça colorida — roxa — e a arremessou em direção ao portão.

— CORTINA DE FUMAÇA! VAI!

— NA PRESSÃO! NINGUÉM PARA! DERRUBA ESSE PORTÃO!

Uma nuvem densa de fumaça roxa engoliu a entrada.

Dentro dela, as silhuetas de Herika e um pequeno grupo de ativistas corriam, figuras fantasmagóricas avançando através da névoa da batalha.

De dentro da fumaça, olhando para fora, as silhuetas de Herika e seu grupo emergiram da névoa, quase alcançando o portão.

Mas uma figura se materializou na frente deles.

Uma montanha.

Fernando, parado, impassível. A fumaça se agitava em volta de suas pernas, mas ele não se movia.

Ele parecia um colosso, um guardião de um portão infernal.

Seus óculos escuros refletiam o caos à sua frente. Sua voz era como o som de pedras se chocando.

— Daqui pra frente... só com ordem judicial ou em saco preto..

Página 5 - Altar da Ganância

Narrador(A coragem é contagiosa... mas o medo é muito mais rápido.)

Herika não parou.

Encarou o gigante à sua frente, o rosto contorcido em pura determinação.

Herika, rosnando para o Fernando):

— Sai. Da. Frente.

Atrás dela, seus companheiros hesitaram por um instante, intimidados.

Na guerra de um homem só, não existem lados.

A batalha principal se desenrolava atrás deles.

A luta não era heroica — era desesperada.

Narrador (Esqueça a ideologia. Quando o sangue esquenta, não tem direita nem esquerda."

"Tem quem bate pra não morrer... e tem quem bate porque gosta.)

Um segurança chutava um ativista já caído.

Dois ativistas derrubavam um segurança e o espancavam com pedaços de madeira.

Era o caos absoluto, a violência crua.

Apenas a carne, o osso e o concreto...

Um segurança solitário, o visor de seu capacete rachado, era cercado por três ativistas com barras de ferro.

— QUEBRA ELE!

— SEGURA! SEGURA!

— NÃO PARA, PORRA!

Seus olhos estavam arregalados de medo.

...e os primeiros sacrifícios anônimos no altar da ganância de um deus distante.

O corpo de uma jovem ativista, de bruços no asfalto, o cabelo espalhado ao redor da cabeça como uma auréola quebrada.

Ao lado dela, um cartaz amassado que dizia "TODA VIDA IMPORTA".

Era o primeiro cadáver.

Narrador(..E no asfalto quente do Rio, a gente aprende a lição mais velha do mundo:"

"O idealismo é lindo no papel. Mas é a carne jovem que sempre paga a conta do banquete dos velhos.)

Página 6 - Espetáculo da Dor

E onde há sangue... sempre haverá câmeras para televisionar o espetáculo.

Em meio à batalha caótica, uma van da Rede News cantou pneus e parou na rua. Um cinegrafista e uma repórter saltaram para fora, já com a câmera no ombro, mergulhando no meio do conflito sem hesitação.

A repórter era profissional, a voz firme com leve sotaque mineiro e com total tranquilidade, apesar do caos de um confronto acontecendo bem atrás dela.

— CORTA PRA MIM! AO VIVO! AGORA!

— Meus amigos, o "trem" descarrihou aqui na porta da Magnus! O que era pra ser pacífico virou praça de guerra num piscar de olhos!

— A tropa de choque tá descendo o cacete e os manifestantes não tão recuando não, uai! O clima é de terror absoluto!

A alguns quilômetros dali. Onde a guerra é apenas um ruído de fundo na decoração.

Magnus e Bibi tomavam café da manhã em um terraço ensolarado de sua mansão, com vista para o mar.

A cena era tranquila, opulenta. Uma enorme TV de tela plana estava ligada na parede, exibindo um programa matinal qualquer, sem som.

Bibi estava feliz, serelepe, e servia o marido com um sorriso doce e um sotaque gaúcho sutil e charmoso.

— Bah, amor... aceita mais um pouquinho? Tá bem quentinho, recém passado...

— Só pra dar aquele ânimo, né, Tchê? Deixar meu tigrão pronto pra peleia do dia...

Magnus sorriu de volta para ela, o perfeito marido bilionário.

Empurrou a xícara para que ela servisse.

Enquanto ela se concentrava em servir o café, o olhar de Magnus se desviou para a TV atrás dela, onde a programação acabara de ser interrompida.

— Por gentileza, minha querida. Você é um anjo.

Na tela da TV, a imagem do programa matinal foi substituída pelo rosto sério do âncora da Rede News, com a tarja "BOLETIM URGENTE" piscando em vermelho.

— INTERROMPEMOS NOSSA PROGRAMAÇÃO PARA UMA NOTÍCIA URGENTE!

— O Rio de Janeiro virou praça de guerra! Imagens exclusivas mostram um cenário de barbárie absoluta nos portões da Magnus Corporation!

— É confronto direto! Sangue no asfalto! A situação saiu completamente de controle!

Voltamos em instantes com mais detalhes e imagens exclusivas..

KRAK!

A xícara de porcelana cara que Magnus segurava se estilhaçou em sua mão sob a pressão de seu aperto súbito.

O café escorrendo pela mão dele como se fosse o "sangue" do negócio vazando)..

A calma acabara.

Página 7 - A Ira do Rei

A mão de Magnus se fechou, esmagando a xícara de porcelana. Cacos e café quente escorreram por seus dedos.

Mauro (Gritando, veia saltada no pescoço):

— RATAZANAS! VERMES!! EU VOU DEDETIZAR AQUELA FAVELA!

Bibi, com uma expressão de genuína ternura, se aproximou e tocou o braço de Magnus com delicadeza.

Estava tentando acalmar uma fera com um carinho.

— Ai, vida... te acalma, guri...

— Desse jeito tu vai ter um treco no coração. Respira, amor...

Magnus se virou para Bibi.

Seu olhar era de puro assassinato.

Por um instante, ele a viu não como sua esposa, mas como um objeto irritante em seu caminho.

Um momento silencioso e carregado de ameaça.

Magnus se controlou, desviando o olhar.

Narrador( O olhar de Mauro deve ser de quem pensa: "Você é inútil agora". Bibi continua sorrindo, alheia )

Bibi, completamente alheia ao perigo, sorriu docemente e mandou beijinhos para ele.

A desconexão entre os dois era gritante.

Magnus se virou de costas para ela, a raiva agora canalizada em ação. Gritou, a voz ecoando pela mansão.

— JONAS!

— Sim, senhor — respondeu o mordomo.

Magnus já estava andando apressadamente pelo hall da mansão, ajeitando o paletó caríssimo.

Jonas, o mordomo impecável, o acompanhava.

— Tira o Mustang da garagem. O Pierre que se dane, eu dirijo.

— Eu vou pessoalmente limpar a minha calçada.

— Avisarei ao Pierre imediatamente, senhor.

Na entrada suntuosa da mansão, um Ford Mustang conversível potente de última linha, já estava esperando.

O motorista, Pierre, segurava a porta aberta.

Magnus o dispensou com um gesto, pegando as chaves de sua mão sem parar de andar.

— Deixa, Pierre. Eu vou sozinho.

— Sim, senhor.

De cima, Bibi na sacada da suíte acenava e mandava beijos.

— Vai com Deus, meu tigrão!

— Te cuida na estrada, viu? A janta vai tá te esperando!.

Lá embaixo, Magnus entrava no Mustang, ignorando-a completamente.

Mauro (Murmurando para si mesmo dentro do carro):

— Imbecil.

SKREEEEEEEEEECH! VROOOOOMMMMM! O Mustang cantou pneus e arrancou, rasgando o asfalto da entrada da mansão em uma explosão de fúria e potência.

Página 8 - Toca das Preguiças

No laboratório, Dr. Marcos se virou para dois assistentes de laboratório que passavam por perto.

Seu rosto era uma máscara de fúria contida.

Apontou para Vanessa com um gesto curto e imperioso, a voz cortante como um bisturi.

— Ei, vocês dois. Tirem esse... "resíduo biológico"... da minha sala.

— Isola ela na contenção. Agora. Antes que eu demita a linhagem inteira de vocês.

Os dois assistentes, claramente não sendo da segurança, escoltavam Vanessa de forma desajeitada por um corredor estéril.

De repente, luzes vermelhas de emergência começaram a piscar, e um alarme ensurdecedor disparou.

Os assistentes entraram em pânico.

VRIIIIINNN! VRIIIIINNN! VRIIIIINNN!

Em pânico total, um dos assistentes passou um cartão às pressas em uma porta qualquer, enquanto o outro empurrava Vanessa para dentro da sala sem nenhuma cerimônia.

Assistente 1: — Joga ela aí! O protocolo de segurança ativou!

Assistente 2: — Só tranca! Vamos vazar!

SLAM!

A porta se fechou com um baque pesado, deixando Vanessa na escuridão.

As sombras dos assistentes corriam para longe pelo corredor vermelho piscante.

Na penumbra da sala, Vanessa se levantou do chão, limpando o jaleco. Sua expressão não era de medo, mas de pura irritação. O "carioquês" de repórter assumia o controle.

— Fala sério... Que esculacho.

— Tô parecendo pauta ruim em redação: ninguém quer, todo mundo chuta.

Ela foi até a porta e forçou a maçaneta, que não se moveu. Olhou para o leitor de cartão magnético ao lado.

— Trancado. Lógico. Sem crachá, essa joça não abre nem com despacho na encruzilhada..

Vanessa se virou e acho um interruptor que lentamente iluminava a sala.

Foi quando seus olhos se arregalaram.

A luz revelava fileiras de jaulas de vidro tecnológicas. Ela reconheceu o design imediatamente.

A sala. Era a área de contenção das preguiças.

Várias criaturas em suas celas, parecendo fracas e sedadas.

O aspecto dos animais era de cortar o coração.

O horror inicial nos olhos de Vanessa rapidamente se transformou em um brilho de compreensão, a mente da repórter conectando os pontos.

Ela tropeçara na fonte, no "lead" de toda a história.

— Caraca...

— Caí na toca do coelho.

— É o gatil. A "Fábrica". Achei a origem da merda toda.

(Ela sussurra com aquele misto de choque e vitória).

Página 9 - Dança da Violência

Narrador (Numa guerra suja, uma câmera ligada é a única arma que faz o inimigo hesitar.)

Toda guerra é feita de momentos.

Pequenas distrações.

Brechas na armadura.

Oportunidades que duram apenas um piscar de olhos...

A van da Rede News tornara-se um ponto de interesse no meio da batalha.

A presença da mídia causava uma breve hesitação em alguns seguranças, criando uma pequena, mas crucial, desordem em sua linha de defesa.

Um painel de ação brutal e sacrificial.

Fernando, o gigante, era o centro de um redemoinho humano. Um grupo de dezenas ativistas se jogam sobre ele, agarrando seus braços, pernas, subindo em suas costas. Era um ato de desespero coletivo para derrubar o titã.

Fernando rugia de fúria, mas estava, pela primeira vez, imobilizado pelo peso dos números.

Herika viu a oportunidade.

Seus olhos brilharam com inteligência tática.

Apontou para a porta de entrada principal do laboratório, agora com menos guardas.

Herika (Gritando):

— ISSO! SEGURA O MONSTRO! EMPILHA NELE!

— É TUDO OU NADA! O SACRIFÍCIO É AGORA!

Um ativista (Sendo esmagado, voz de esforço supremo):

— VAI! CORRE, HERIKA! A GENTE SEGURA O BOI!!

Herika liderou um grupo menor e mais ágil em uma corrida desesperada em direção à porta do laboratório, passando pela confusão da batalha principal.

— VAMOS, GALERA! PARA A ENTRADA!

Eles pulam o muro do portão exterior e correm em direção entrada principal do laboratório, mas seu caminho foi bloqueado.

Adriele, impecável e fria, estava parada na entrada, flanqueada por sua própria equipe de seguranças de elite. Ela os observava com um sorriso divertido e condescendente.

— Ops... Erraram o endereço?

— A "festa da democracia" termina na calçada, querida.

(Adriele mantém a postura de "felina-predadora", brincando com a presa).

Herika encarou Adriele, a respiração ofegante, mas os olhos queimando com desafio.

Herika (Olho no olho com Adriele):

— Sem recuo! Atropela!

— O alvo é a porta! Passa por cima dela!

Ativistas (Coro de guerra):

— PRA CIMA!

As duas líderes.

· Adriele, no alto, com uma calma predatória.

· Herika, embaixo, com a fúria de uma invasora.

— Podem bater.

— Quebrem todos. Sem exceção.

(Ela diz isso para os seguranças como quem pede um café, com frieza absoluta).

A última imagem.

Os dois grupos avançavam um contra o outro.

O novo embate, mais focado e letal, estava prestes a começar.

Página 10 - Liberdade Cantou

Enquanto a batalha explodia no portão principal, dentro da sala de contenção das preguiças, Vanessa estava de pé, olhando para uma das criaturas em uma jaula de vidro.

O animal estava apático, triste.

A expressão de Vanessa era de pura empatia e raiva contida.

— Tadinhas...

— Vocês não merecem essa vida de merda, não...

(Ela fala baixo, com carinho genuíno).

Uma lâmpada se acendeu na cabeça de Vanessa.

Ela se virou e seus olhos focaram em um terminal de controle central, com uma tela e vários botões, no meio da sala.

— Peraí...

— O Doutor "Frankenstein" mexia naquele painel...

— Observando o modus operandi as aulas de "assistente" finalmente servindo pra alguma coisa.

- O jornalismo investigativo agradece, Doutor.

(Tom irônico, mas intelectual).

Com um movimento decidido, Vanessa acionou uma alavanca que ficava ao lado do painel principal com isso ela aciona o sistema de emergência e as Jaulas de vidro começam a se abrir liberando as jaulas.

KLUNK!

Todas as portas das jaulas de vidro da sala se abriram simultaneamente com um silvo de ar comprimido.

— Foi mal, Dr. Vamos mudar a manchete de hoje, pois é dia de "Portas Abertas".

— LIBERDADE CANTOU - Fim da exclusividade, Magnus!

Um novo alarme, alto e estridente, começou a soar dentro da sala.

· KLUNK! (Travas soltando)

· KSSSHHHHHHHHH! (Ar comprimido)

· KLAXON! KLAXON! KLAXON! (Alarme estridente)

— Deadline atingido.

Página 11 - O Gênio e a Falha

Enquanto o Dr. Marcos observava o confronto violento lá fora, sua atenção foi arrancada pela própria tecnologia.

O monitor em que ele assistia ao embate explodiu em um Alerta Vermelho ofuscante, transformando o ambiente asséptico em uma câmara de emergência.

Era o sinal de que algo inconcebível havia rompido a barreira

"ALERTA: VIOLAÇÃO DE SEGURANÇA - CONTENÇÃO 244"

Dr. Marcos ficou chocado e incrédulo.

— Setor 244?! Impossível. O algoritmo de segurança é infalível.

Ele digitou furiosamente no teclado, acessando a câmera de segurança do local.

Na tela, viu a imagem de Vanessa, de pé, ao lado do painel de controle que ela acabara de desligar.

Os olhos do Dr. Marcos queimavam com uma fúria fria e intelectual.

— Como essa "anomalia jornalística" acabou ali?

— Incompetência. Pura e simples incompetência humana.

Dr. Marcos saiu de sua sala como um furacão, empurrando seus próprios funcionários para o lado.

Dr. Marcos - Gritando enquanto andano meio da confusão

— SAIAM DA FRENTE! VETORES INÚTEIS!

— Se querem algo bem feito, chamem o criador.

— Os espécimes não podem sair do perímetro.

- O código genético delas vale mais que a vida de todos vocês somadas!

É hora de o gênio assumir o controle!.

Dr. Marcos chegou à porta da sala de contenção e passou seu cartão mestre no leitor.

A porta se abriu com um zunido.

BEEP-BLIP!

VMMMMMP...

Ao entrar na sala, Dr. Marcos viu as jaulas abertas, algumas preguiças começando a sair lentamente.

Mas, fora isso, a sala estava vazia.

Vanessa não estava lá.

— Ilogismo...

— Onde foi parar a intrusa? Matéria não desaparece espontaneamente.

— Há uma falha crítica na matriz de segurança... ou eu estou cercado por idiotas.

Página 12 - O Golpe da Verdade

Narrador ("Às vezes, a caneta não é mais forte que a espada... mas um empurrão bem dado resolve.)

Dr. Marcos ainda procurava por Vanessa na sala.

De repente, debaixo de uma mesa de metal bem à sua frente, Vanessa explodiu em um movimento rápido, jogando-se contra ele.

Usando todo o seu peso e o elemento surpresa, ela empurrou o Dr. Marcos com a força de um aríete.

Ele foi pego completamente desprevenido.

THWACK! (Cabeça na parede)

A cabeça do Dr. Marcos bateu com força na parede de concreto.

Seus olhos reviraram e ele desmaiou, caindo no chão como um boneco de pano.

Vanessa, ofegante pela adrenalina, ajoelhou-se sobre o corpo do doutor e arrancou o cartão mestre de acesso de seu pescoço.

Em seu rosto, uma expressão de determinação feroz.

Ela se levantou e olhou para as preguiças, que observavam a cena, assustadas. Sua voz era um sussurro, uma promessa.

— Segurem as pontas, meninas...

— Eu vou tirar vocês dessa pauta sangrenta. É uma promessa.

(Tom carinhoso, mas apressado).

Vanessa correu para fora da sala, uma mancha de movimento no corredor.

- Droga! Preciso do furo! Não posso perder o timing nem a chance de ter o material pra expor esses bandidos. Já é!!

Ela chegou à porta do laboratório principal do Dr. Marcos e passou o cartão mestre roubado.

O leitor piscou em verde e a porta se abriu.

BEEP!

VMMMP...

Dentro do laboratório, Vanessa vasculhou tudo freneticamente. Gavetas abertas, papéis espalhados.

Estava em uma busca desesperada pela "arma do crime".

E então ela viu.

Sobre o painel de controle central, deixada para trás na pressa, estava a cápsula com o líquido dourado brilhante.

Vanessa pegou a cápsula.

Em seu rosto, refletido no vidro do recipiente, uma expressão de pura euforia e vitória.

Ela encontrara o furo de sua vida.

— Bingo!

— "Soro Gênesis"... A prova material.

— Acabou a impunidade, Doutor. Te peguei no flagra.

— A capa de domingo já tem dono.

(O sorriso dela é de vitória profissional absoluta).

Página 13 - Duelo de Rainhas

Toda guerra tem seu epicentro.

O ponto para onde todos os olhos se viram.

O duelo que decide o destino da batalha.

A batalha na entrada do laboratório estava em seu auge.

Bombas de fumaça criavam uma névoa densa, cortada apenas pelos flashes azuis dos tasers dos seguranças e pelos vultos dos ativistas que avançavam e recuavam.

Era uma dança caótica de violência.

No centro do caos, Herika e Adriele se encaravam.

Herika, ofegante, suja de fuligem, empunhava a haste de madeira pontiaguda de um cartaz quebrado como uma lança primitiva.

Adriele, em contraste, estava limpa, calma, as mãos vazias, o corpo tenso como o de um felino pronto para o bote.

Herika atacou, (Gritando enquanto ataca).:

— SAI DA FRENTE, SUA VENDIDA!

— EU VOU TE FURAR!

Desferiu uma série de golpes rápidos e furiosos com a lança improvisada.

SWISH! SWISH! VUP!

Adriele não recuou.

Esquivou-se de cada golpe com uma agilidade sobrenatural, desviando por centímetros, os movimentos fluidos e graciosos.

Para ela, não era uma luta — era uma dança.

— Muito lenta, querida.

— Muita paixão, pouca técnica. Você luta como uma amadora.

(Adriele humilha Herika não só fisicamente, mas intelectualmente).

SWISH! SWISH! VUP!

Vendo uma abertura.

Adriele se abaixou em um movimento relâmpago e passou uma rasteira devastadora em Herika.

Herika caiu, e antes mesmo de atingir o chão, Adriele saltou sobre ela, aterrissando com precisão e imobilizando-a em uma chave de corpo.

Adriele estava por cima, vitoriosa, e soltou seu ronronar característico de satisfação, o rosto próximo ao de Herika, que a encarava com uma mistura de ódio e surpresa.

— Rrrnnnn...

— Peguei o canário.

— Fica quietinha agora, senão eu quebro seu pescoçinho.

No clímax do confronto, o olhar de Adriele se desviou do foco do cambate com Herika e ao olhar direção ao Norte.

Seus olhos se arregalaram em choque.

Ao longe, uma cena inusitada, uma pequena figura ruiva de jaleco que mal cobria suas partes intimas, tentava se misturar a confusão do confronto e corria desesperadamente em direção a saída.

— Vanessa — corria para longe do laboratório.

— A repórter...?!

— Mas que porra é essa?! Quem deixou essa vadia sair?!

(Ela perde a compostura felina e xinga, percebendo que a missão falhou).

A distração durou apenas um segundo, mas foi o suficiente.

Dois ativistas aproveitaram a chance e se jogaram sobre Adriele, agarrando-a e removendo-a de cima de sua líder Herika que agora estava livre.

Um dos ativistas, enquanto lutava para segurar uma Adriele que se debatia com fúria, gritou para ela.

- METE O PÉ, KIKA!

— A GENTE SEGURA A "GATA"! VAZA DAQUI!

Herika olhou para seus amigos se sacrificando.

A hesitação em seu rosto durou um instante, logo substituída por uma determinação de aço.

Ela deu um último aceno de cabeça para eles e correu em direção à porta principal do laboratório, que fora deixada entreaberta por Vanessa.

Página 14 - Lembrança Sangrenta

Dentro da fortaleza.

Onde a guerra de rua dá lugar ao silêncio frio da ciência.

Herika entrou, uma figura suja e ofegante vinda da batalha.

O contraste entre ela e o ambiente estéril e ultra-tecnológico era imenso.

O Laboratório estava vazio devido ao caos, todos os funcionários deixaram o local com medo e a segurança estava ocupada com os manifestantes.

Herika parou, maravilhada e ao mesmo tempo repelida por tudo aquilo.

— Caraca... Olha o nível da ostentação.

— Tanta grana pra brincar de Deus... enquanto o povo lá fora morre na fila do SUS.

(Crítica social direta, típica da visão dela de mundo).

Ela avançou cautelosamente pelo corredor.

Sua atenção foi atraída por uma porta mais à frente, que estava entreaberta.

Herika empurrou a porta lentamente e olhou para dentro.

Seu rosto estava tenso, esperando por uma armadilha.

Ela viu a sala e no chão, no meio da sala, um homem de jaleco branco estava caído, de bruços, uma pequena poça de sangue se formando ao lado de sua cabeça.

O instinto de ajudar falou mais alto.

Herika correu para o lado do homem caído, ajoelhando-se ao lado dele para verificar se ele estava vivo.

Herika com um Sussurro cuidadoso

— Ei... Tá vivo, doutor?

— A chapa esquentou pra você também, né?

Com cuidado, ela virou o rosto do homem.

E seu sangue gelou.

Seus olhos se arregalaram em um misto de choque, horror e um reconhecimento terrível.

— Não...

— Não pode ser você.

— O "Monstro"...

A memória voltou, dolorosa, com bordas suaves e cores desbotadas.

Uma Herika muito mais jovem — dezoito anos — o rosto inchado de tanto chorar, em um quarto de hospital.

Ela estava diante de um Dr. Marcos Cruz de aparência impassível.

Entre eles, em uma cama de hospital, a mão pálida e sem vida de uma pessoa não revelada, já coberta por um lençol.

A cena era de pura dor, desespero e impotência.

Voz do Passado - Dr. Marcos frio e distante

— O óbito foi... inevitável. A genética dela era fraca.

— Não chore. A ciência não lida com sentimentos, menina.

Voz do Passado (Herika Jovem - Grito de dor):

— ASSASSINO!

Página 15 - O Sorriso do Predador

Quando a força privada não é suficiente... o poder de verdade convoca o braço armado do Estado.

O Mustang conversível de Mauro Magnus cantou pneus e parou bruscamente na rua, em frente ao caos.

Magnus estava ao volante, o rosto uma máscara de fúria gelada.

Logo atrás dele, viaturas da Polícia Militar, incluindo um caveirão, chegaram com as sirenes ligadas, e policiais fortemente armados começaram a desembarcar.

WEEEE-OOOOH-WEEEE-OOOOH!

No meio da multidão, Fernando estava sendo contido por um grupo de dezenas de ativistas, que se agarravam a ele como formigas em um gigante.

Ele viu a chegada de Magnus, e uma nova urgência tomou conta dele.

Com um rugido de pura força e adrenalina, Fernando explodiu.

RRRAAAGH! (Rugido de esforço)

Arremessou os ativistas para longe como se fossem bonecos de pano. Era uma demonstração de poder brutal e sobre-humano.

RRRAAAGH!

Fernando, com o terno rasgado, se aproximou de Magnus.

Parou em frente ao chefe, a cabeça levemente baixa em sinal de subserviência, relatando a falha.

Fernando (Cabeça baixa, voz robótica):

— Situação crítica, senhor. Contingente hostil superou a estimativa. Perímetro comprometido.

Magnus não parecia zangado.

Ele sorriu.

Um sorriso de puro desprezo e indignação, o que era ainda mais aterrorizante.

Mauro (Sorrindo suavemente, depois explodindo):

— Ah, Fernando... meu caro "muro de Berlim"...

— O QUE EU FAÇO COM VOCÊ?!

Magnus explodiu, gritando na cara do gigante Fernando, que apenas recebeu a fúria do chefe, imóvel.

— EU TE PAGO PRA SER UM ESCUDO, NÃO UMA PENEIRA, SEU IMBECIL!

A Polícia Militar avançou em formação de tropa de choque.

Dispararam bombas de gás lacrimogêneo contra a multidão de ativistas.

— DISPERSAR! VAI! VAI!

— TÁ NO GÁS! TÁ NO GÁS!

A manifestação se desfez em pânico, tosse e correria.

A guerra acabara.

FWOOSH! POP! FWOOSH!

Magnus se virou, ignorando Fernando, e se preparou para acompanhar a polícia para dentro do laboratório.

Mais por instinto ou intuição seus olhos varreram a cena caótica mais uma vez, quando de repente, ele parou, seus olhos fixaram em um ponto distante pois algo ao longe chamara sua atenção.

No final da rua, quase obscurecida pela fumaça e pela confusão, uma figura ruiva, vestindo um jaleco branco minúsculo estva pulando para dentro de uma van da Rede News.

Mauro - Sussurrando para si mesmo)

- Ruiva.

— Rede News.

— Então temos um rato no laboratório.

(Ele sorri, pois agora sabe quem caçar).

Página 16 - Fuga no Asfalto

Ao lado da van da Rede News, o caos imperava.

Vanessa praticamente empurrava seus colegas, o cinegrafista e a outra repórter, para dentro do veículo.

Em sua mão, erguida como um troféu, estava a cápsula brilhante do Soro Gênesis.

Seu rosto era uma mistura de pânico e euforia.

— ENTRA! ENTRA! TÁ COMIGO!

— O "ouro" tá na mão! A pauta tá fechada! VAZA!

Dentro da van, um turbilhão de movimento.

A adrenalina da equipe estava no máximo.

— Caralho, Vanessa! Tu é doida varrida, mermão!

— Mandou muito! Isso é prêmio Esso na certa!

(gritou o cinegrafista).

— Ai, Jesus da glória! Acelera esse trem, Juca!

— Tira a gente desse salseiro pelo amor de Deus!

(ordenou a repórter).

O motorista já girava a chave na ignição enquanto os outros se jogavam nos bancos.

— Calma, meu rei! O bicho tá pegando, é?

— Ó paí, ó! Segura a peruca que o "foguete" vai decolar!

— Vumbora, desgraça!

SKREEEEEEEEECH!

A van da Rede News cantou pneus e arrancou, desaparecendo na rua em meio à fumaça do gás lacrimogêneo.

Magnus, parado ao lado de seu Mustang, observava a fuga com um olhar frio e calculista.

Fernando estava ao seu lado.

— A "assistente"... Ela saiu com um souvenir.

— Fernando...

— Se eu perder aquele frasco, você perde a sua humanidade.

Magnus se virou para Fernando.

Seus olhos eram como lascas de gelo. A ameaça dele era calma, pessoal e absolutamente horripilante.

— Você volta pra bancada de laboratório. Em pedaços. Parte por parte.

Por trás dos óculos escuros, o músculo da mandíbula de Fernando se contraiu.

Era um espasmo de medo, de uma memória terrível.

Magnus não esperou resposta.

Empurrou Fernando para o banco do passageiro do Mustang e deslizou para o volante.

Ele cuidaria disso pessoalmente.

— Sai.

— Hoje eu tô com sede de sangue.

VROOOOARRRRR!

O Mustang rugiu, o som do motor V8 potente ecoando como um trovão, um predador começando a caçada.

Página 17 - Miado de Dor

Herika estava de pé sobre o corpo desmaiado do Dr. Marcos.

Seu rosto estava contorcido em um puro surto de indignação e ódio antigo.

As mãos dela estavam cerradas em punhos.

— Seu carniceiro...

— A conta chegou...

(Ela hesita ao ver os animais, o que dá a brecha).

Ela interrompeu a frase.

Seu olhar se desviou do doutor e focou, pela primeira vez, nas fileiras de jaulas das preguiças à sua frente.

Um vislumbre de seu objetivo original.

Mas era tarde demais.

O olhar de Herika ficou vago.

Seu corpo enrijeceu.

E aos poucos foi desfalecendo, pois de forma precisa foi golpeada em sua nuca com a lateral da mão de alguém.

THOK!

O corpo de Herika desabou lentamente, caindo em direção ao chão.

Enquanto ela desaba vai surgindo uma figura em suas costas, era a gata Felina com suas vestes rasgas após se livra da armadilha dos ativistas.

A expressão dela era de pura satisfação predatória.

— Shhh... Dorme, passarinho.

— Sete vidas, querida... Eu ainda tenho seis de sobra.

(Refere-se ao fato de ter sobrevivido ao ataque dos ativistas lá fora).

O sorriso de Adriele desapareceu.

Seus olhos se arregalaram em horror ao focar no Dr. Marcos, caído na poça de sangue.

A vitória se transformou em pânico em um instante.

— Doutor?

Num movimento desesperado, Adriele se jogou de joelhos e pegou a cabeça do Dr. Marcos, aninhando-a em seu colo.

A comandante fria se foi; em seu lugar, uma jovem apavorada.

Gritou em seu comunicador, a voz embargada pelo pânico.

— EQUIPE MÉDICA!! CÓDIGO VERMELHO!

— TRAZ A MACA, PORRA!! O DOUTOR TÁ NO CHÃO!!

(O desespero a faz perder a postura fria).

Lágrimas escorriam pelas bochechas de Adriele.

Ela abraçava o corpo inerte do doutor, o rosto enterrado em seu ombro.

Os sons que ela emitia eram uma mistura de soluços e um choro felino, um miado de pura dor.

— Mraaaaw... Não me deixa...

— Quem vai cuidar de mim? Quem vai me consertar?

— Fica comigo... Miiii... por favor...

Página 18 - O Salto do Impossível

A vitória, às vezes, dura apenas o tempo de uma arrancada...

Dentro da van da Rede News, o ambiente de comemoração se desfez.

O motorista estava com os olhos arregalados, fixos no retrovisor.

Suas mãos apertavam o volante com força.

— Ó paí, ó!

— Tem um bicho-papão comendo nosso para-choque!

— O miserá tá vindo que nem bala, meu rei! Segura!

Vanessa se jogou para a parte de trás da van, olhando desesperadamente pelas janelas traseiras.

No meio do trânsito, um Mustang conversível costurava entre os carros com uma velocidade e agressividade assustadoras, se aproximando como um tubarão.

O rosto de Vanessa empalideceu de terror ao reconhecer o motorista.

— PUTA QUE PARIU! É O DONO!

— É O PRÓPRIO MAGNUS NO VOLANTE!

— PISA NESSA LATA VELHA, JUCA! PISA!

A outra repórter na van entrou em pânico.

— Nuuuh! Esquece! O trem é um Mustang V8, sô!

— A gente tá numa batedeira e o homem tá num foguete! Já era!

Mais confuso perguntou o cinegrafista.

- Qual é a do playboy?!

— O bilionário largou o escritório pra dar zerinho na pista? Que porra é essa?!

Vanessa Argumenta preocupada

— Não é zerinho... É caçada.

- Aquele desgraçado deve ter me visto entrar na van.

O Mustang se emparelhou violentamente com a van.

— Minha Nossa Senhora do Bonfim...

— gritou o motorista.

Magnus dirigia com uma mão, o rosto uma máscara de fúria fria.

Não olhou para a van.

Simplesmente deu a ordem.

— Fernando. Dê um jeito neles. Agora.

Fernando, no banco do passageiro, com o vento da velocidade chicoteando seu terno, começou a se levantar.

De forma calma e sobre-humana, ficou de pé dentro do conversível em movimento.

Era uma visão aterrorizante e impossível.

Juca com um ar de desespero e incredulidade gritou a todos.

— O "armário" tá ficando em pé no carro!

— Isso não existe não, véi! O bicho é de ferro!

O que eles estavam preste a vivenciar desafiava a lógica.

Será que a esperança de fuga morrerá. Agora, era só terror????.

Página 19 – A face do Monstro

Dentro da van, Juca, o motorista, estava pálido, os olhos arregalados de terror, olhando para o Mustang ao lado.

Sua voz era um gaguejo de pânico.

— Minha Santa Bárbara!

— O que tem ele, Juca?! — perguntou Vanessa, virando-se para a frente.

Juca viu Fernando de pé no banco do passageiro do conversível, em alta velocidade, o corpo tenso como uma mola prestes a disparar.

— O "King Kong" tá armando o bote!

— Ele vai voar, véi! Ele vai pular na gente!

— SEGURA O ROSÁRIO!

Todos dentro da van e um uníssono.

— O QUÊ?!.

Os rostos do cinegrafista, da repórter e do motorista se contorceram em puro choque e incredulidade.

Uma imagem de ação espetacular e aterrorizante.

Fernando estava no ar, um colosso de terno negro voando entre o Mustang e a van.

O asfalto abaixo era um borrão de velocidade.

Seu movimento era impossível, sobre-humano.

Ao fundo, no Mustang, Magnus observava a cena com um interesse frio e clínico.

Era o milagre profano, a pura face do mal em ação.

Visto de dentro da van, o teto se deformou para baixo com uma violência explosiva, como se uma pedra gigante tivesse caído sobre eles.

A van inteira tremeu.

KRA-THOOOOOOOM!

O caos dentro da van.

Todos foram jogados de um lado para o outro. Vanessa se segurou, o rosto em puro pânico.

- PUTA MERDA! O TETO!

— ELE POUSOU EM CIMA DA GENTE!

De cima da van, Fernando rastejava pelo teto amassado em direção à frente, como uma aranha gigante e implacável.

A visão mais aterrorizante.

Juca olhou para o para-brisa.

O rosto de Fernando, impassível por trás dos óculos escuros, apareceu de cabeça para baixo, do lado de fora, encarando-o.

— MISERICÓRDIA!

— Ó a cara do demônio no vidro!

— O bicho tá invertido, véi! Deu ruim! Deu muito ruim!

Todos na van gritaram em uníssono, um coro de puro pânico.

Equipe (Coro de Gritos):

— TIRA ELE DAÍ! TIRA!

A voz de Vanessa cortou o barulho com uma ordem desesperada.

— ZIGUEZAGUE, JUCA!

— DERRUBA ESSE DESGRAÇADO! SAMBA COM ESSE CARRO!

— AGORA!

Página 20 - Curva da Morte

Dentro da van, Juca, em um ato de puro desespero, viu uma curva fechada em direção a orla e numa atitude impensada naquela velocidade girou o volante com toda a força.

O cenário do lado de fora a Van se inclinou violentamente.

— Ó A CURVA DA MORTE!

— AGUENTA CORAÇÃO!

— SEJA O QUE DEUS QUISER!

A van da Rede News estava quase tombando, equilibrada precariamente em duas rodas, os pneus cantando no asfalto.

Por um instante, pareceu que ia capotar.

SKREEEEEEEEEEEEEEEE! (Pneus fritando no asfalto)

Desestabilizando até o Mustang de Magnus que derrapou mais se manteve a caça dos fugitivos.

A imagem mais impactante da perseguição.

A van bateu de volta no chão, sobre as quatro rodas.

E na frente dela, no capô, Fernando aproveitou o momento para ficar de pé, perfeitamente equilibrado.

Ele não se movera um centímetro.

A velocidade do vento chicoteava o que restava do seu terno, mas ele permanecia firme como uma rocha, os óculos escuros ainda no lugar.

Era uma visão que desafiava a gravidade e a lógica, a encarnação de uma força implacável.

Dentro da van, o pânico deu lugar a um choque absoluto, a uma admiração aterrorizada.

Eles estavam testemunhando o impossível.

Narrador ("A física tem leis... mas monstros não obedecem a ninguém.")

O cinegrafista incrédulo com a majestosa e bizarra cena.

— Caralho...

— O maluco colou no capô. Nem Super Bonder segura assim.

— A gente tá fodido.

A van agora acelerava por uma avenida que beirava a praia.

A manobra os levara para a orla.

À direita, a imensidão do oceano. À esquerda, as luzes da cidade.

Avenida marítima a beira mar.

Onde a cidade encontra o mar... e o desespero encontra o inevitável.

O Mustang de Magnus continuava emparelhado com a van.

Seu rosto estava vermelho de fúria pela demora. Gritou para Fernando, a voz cheia de ódio e impaciência.

— CHEGA DE SHOW, FERNANDO!

— DERRUBA!

— ESMAGA ESSA LATA DE SARDINHA AGORA!!

Página 21 - Punho de Ferro

Naquele momento por volta 8:00 AM.

Uma imagem ampla e serena.

A praia deserta.

O sol estava a se levantar, a luz clara e aquecedora.

JC ainda dormia na areia, na mesma posição em que o deixamos.

Ao seu lado, o celular começou a vibrar.

BIP-BIP... BIP-BIP...

JC despertou, piscando os olhos contra a luz forte do sol. Sentou-se, confuso, e desligou o alarme.

A tela do celular estava cheia de notificações de um grupo de "TRADES".

Ignorou as mensagens.

Seu olhar se perdeu no horizonte.

A expressão dele era pesada, melancólica, enquanto as memórias da noite anterior voltavam com força.

— Que ressaca moral, brother...

— Herika me esculachou... o velho não para de ligar...

— Eu devia ter ficado em casa jogando.

JC abraçou os joelhos, sentado na areia, apenas observando as ondas calmas quebrando na praia.

Uma bela cena, um momento de paz tentando se instalar sobre um coração turbulento.

A paz foi quebrada.

JC virou a cabeça abruptamente, o rosto em alerta. Um som violento e antinatural rasgou o ar.

Os olhos de JC arregalados, tentando entender se ainda está bêbado ou se aquilo é real).

JC olhou da praia para a avenida e viu a cena inacreditável: a van da Rede News derrapando, quase fora de controle.

Em cima dela, a figura massiva de Fernando.

E ao lado, o Mustang vermelho, emparelhado como um predador.

O caos invadia violentamente a tranquilidade da praia.

A BRUTALIDADE CHEGA!

Para uma força da natureza, não existem obstáculos...

Uma imagem de violência explosiva e visceral. O punho de Fernando atravessou o para-brisa em uma chuva de vidro estilhaçado.

KRA-SHAAAASH! (Vidro)

SKRUNCH! (Osso/Impacto orgânico)

Narrador ("Protocolo de execução: Eficiência máxima. Emoção zero.")

O soco atingiu o rosto do motorista Juca em cheio.

O resultado foi brutalmente explícito.

Um impacto devastador que afundou o rosto do motorista, um borrão de sangue e ossos. A morte foi instantânea, horrível.

O ataque é uma demonstração de força calibrada.

O golpe acerta Juca com a eficácia de um martelo em vidro, estilhaçando o controle.

O corpo dele flutua por um instante antes de cair; a coluna vertebral [ou a estrutura óssea] reage como um elástico partido.

Ele tomba sobre o assento.

O silêncio que se segue ao impacto explica tudo: a máquina de matar cumpriu o protocolo.

SKRUNCH!

(O sangue espirrando neles. Vanessa paralisada. Xande em choque. Malu gritando sem som).

Dentro da van, os rostos de Vanessa e dos outros se contorceram em um grito silencioso de puro terror.

Página 22 - Dança dos Destroços

O corpo sem vida de Juca caiu sobre o volante.

A van, agora sem controle, virou bruscamente e atingiu a lateral do Mustang de Magnus.

SKREEEEEE-CRUNCH! (Metal com metal)

O Mustang foi jogado para fora da pista, girando e batendo com violência contra uma árvore no acostamento.

A frente do carro de luxo se transformou em um monte de metal retorcido.

CRUUUUUUNCH! (Impacto na árvore)

A van capotou espetacularmente na estrada.

Um balé de metal e vidro, uma dança da morte.

Inclinou-se, levantando duas rodas. Voou, virando de cabeça para baixo.

Caiu com o teto no asfalto, arrastando e soltando faíscas.

A van finalmente parou, tombada de lado, bem em cima do local onde Fernando estava.

Ele desapareceu sob a carcaça do veículo.

Fumaça e o cheiro de gasolina começaram a encher o ar. A cena era de silêncio e destruição.

...apenas inconveniências a serem removidas.

Na praia, JC observava a cena com horror.

Sem hesitar um segundo, começou a correr em direção à estrada, em direção ao caos.

Ele era o único que corria para ajudar.

— MEU DEUS!

— SEGURA AÍ! TÔ INDO!

(Grito instintivo enquanto corre pela areia fofa).

Página 23 - Troca de Rainhas

A visão em primeira pessoa do Dr. Marcos.

A imagem estava embaçada, focando lentamente no teto branco e estéril de uma enfermaria.

Ele tocou a própria cabeça e sentiu as bandagens de um curativo.

— Localização...

— Enfermaria?

— Quem autorizou esse... lapso de consciência?

Dr. Marcos estava deitado em uma cama no centro médico do laboratório no setor recuperação.

Ao seu lado, em uma cadeira, Adriele se inclinava para a frente, o rosto uma mistura de alívio e uma devoção quase infantil.

Era a primeira vez que a víamos tão abertamente preocupada.

— O senhor acordou! Que bom...

— Adriele... o que estou fazendo aqui?

— Graças a Deus...

— Achei o senhor apagado no setor 244. Quase morri de susto..

A memória voltou de uma vez. O rosto do Dr. Marcos se contorceu em uma fúria fria.

— A intrusa... Aquele vírus de saias...

Adriele, no entanto, interpretou mal.

Assumiu que o ataque só poderia ter vindo da outra prisioneira. Seu rosto se encheu de desprezo.

— A selvagem, né? A ativista de araque.

— Eu devia ter quebrado o pescoço dela na hora

— Ativista? — perguntou o Dr. Marcos, com expressão confusa.

Adriele pegou um tablet e mostrou ao doutor.

Na tela, uma imagem da câmera de segurança: Herika, vestindo apenas roupas íntimas, encolhida no canto da cela de Contenção.

A cena era fria e humilhante.

A Contenção. Uma ferramenta cirurgicamente precisa para desmantelar uma pessoa.

Dr. Marcos olhou para a imagem de Herika na tela.

A raiva em seu rosto se dissipou, sendo substituída por um lento sorriso, um brilho de inspiração maligna em seus olhos.

— Não, minha querida felina. Quem me acertou foi a repórter...

Ele desviou o olhar do tablet para Adriele, o sorriso se alargando de forma maquiavélica.

— Não, minha gatinha... O golpe veio da imprensa.

— Mas veja só... O destino escreve certo por linhas tortas.

— Esqueça a repórter por um segundo. Olhe para a tela.

— Trocamos um peão por uma rainha.

Adriele, vendo a satisfação de seu mestre, relaxou. Um ronronar de puro contentamento escapou de seus lábios enquanto ela observava o doutor.

— Rrrnnnn...

— O senhor sempre sabe o que faz, Doutor.

— Vamos brincar com ela então?

Página 24 - Anjo Caído

A visão em primeira pessoa de Vanessa, de dentro da van destruída.

A imagem estava embaçada pela dor e pelo choque.

Ela via a silhueta de um homem recortada contra a luz ofuscante do sol.

Para ela, era a imagem da morte que chegara.

JC abriu as portas.

A cena dentro da van era de terror absoluto: corpos, destroços, o cheiro de sangue.

O rosto dele se contorceu em choque.

— Jesus amado...

— ALGUÉM ME OUVE?!

— Eu... — respondeu Vanessa, com a voz fraca.

JC focou em Vanessa, viva em meio à carnificina. Alívio e horror se misturaram em seu rosto.

— ...eu tô aqui. Ainda estou viva.

O instinto de JC foi pegar o celular, o rosto sério e focado em fazer a coisa certa.

— Calma, moça... não se mexe!

O acidente foi feio. A gente precisa saber quem mais está ferido, quem precisa de ajuda urgente.

Me diz o que você viu. Tem mais alguém por perto?...

— Eu vou chamar o SAMU... segura a onda!

O rosto de Vanessa se transformou em pânico absoluto. Ela não temia os ferimentos, temia o que estava lá fora.

— NÃO! Não chama ninguém! Você precisa me tirar daqui! AGORA! POR FAVOR! — gritou ela, com desespero.

JC ficou perplexo com a reação dela, tentando manter a calma. Olhou para os outros corpos na van.

— Puta que pariu...

— Isso não foi batida... isso foi execução.

— Moça, eu tenho que ligar pra polícia. Tem gente morta aqui!

A van inteira foi sacudida por um solavanco violento vindo de baixo, acompanhado de um som de metal se contorcendo.

Poeira e pequenos destroços caíram do teto amassado.

GRRRROOOOAAAAANNNNNK! (Metal gemendo)

Vanessa olhou para baixo, para uma fresta no piso da van. O que ela viu desafiava a lógica.

O terror em seu rosto era absoluto.

— Não...

— Ele não morre...

— ELE TÁ VIVO EMBAIXO DA GENTE!

JC, do lado de fora, olhou para a van, tentando entender o que causara o solavanco.

— O que porra foi essa?!

Vanessa se virou para JC, o rosto banhado em lágrimas de puro pavor. A súplica dela era a de alguém que via o monstro se aproximando.

— ME TIRA DAQUI OU NÓS DOIS VAMOS MORRER!

— AGORA!!

JC (Confuso, mas assustado):

— Pô, Senhora, meu irmão! Vítimas?! Isso aqui é planejado! É cena de crime, eu te juro! Não tô acreditando nessa parada!

Mesmo sem muita confiança e apreensivo nosso herói entra nos destroços

— Caralho...

— Tá bom! Vem! Segura minha mão!

Página 25 - Peso da Vida

Mesmo os reis, às vezes, sangram.

O Mustang de Magnus estava destruído, a frente esmagada contra uma árvore.

Dentro, Magnus estava desacordado, o rosto afundado no airbag branco.

De volta à van, Vanessa tentou se mover, mas um grito de dor escapou de seus lábios.

Ela olhou para sua perna, presa e torcida em um ângulo horrível.

Vanessa (Gemendo):

— Ahhh! Minha perna... Tá quebrada...

JC (Falando sozinho):

— Cacete... Se eu mexer, pode piorar. Se eu deixar, ela morre.

— Que sinuca de bico, meu Deus!

(Pensamento de JC sobre a situação que esta se metendo)

"Caraca, me diz o que eu faço! Isso aqui é prova, tem que isolar! Mas ela tá morrendo aqui do lado! Não dá pra deixar, tá ligado? Que sufoco!..."

A van balançou de novo, com mais força, acompanhada de um som de metal sendo arranhado por algo pesado e forte.

SKRRRRAPE!

— JC:Que barulho foi esse?! O carro vai explodir?

O rosto de Vanessa estava aterrorizado.

— Não é o carro... É ele.

— Me tira daqui!

Ela o encarou, os olhos suplicantes e cheios de lágrimas.

— Moço, por favor, me ajuda... ME TIRA DAQUI!

Era o que bastava. A decisão estava tomada.

O rosto de JC se encheu de uma nova determinação.

Ele não era mais um espectador; ele era o salvador. Começou a entrar na van destruída.

JC levantou a câmera de filmagem que cairá sobre a perna de Vanessa em seguida amarrou a perna dela com a camisa do cinegrafista morto e a pego com o máximo de cuidado.

Ele a segurava em seus braços, protegendo sua perna ferida como se protegesse um diamante valioso.

Ela estava fraca, quase desmaiando de dor e perda de sangue e com várias escoriações pelo corpo, mais um detalhe primordial a capsula firma em seu punho fechado.

O rosto de Vanessa estava aninhado no ombro de JC. Seus olhos estavam quase fechados, mas ela conseguiu sussurrar.

— Você...

— Você é um anjo que caiu do céu...

JC, carregando Vanessa, saiu da van e começou a correr pelo acostamento em direção ao seu carro.

A expressão dele era de pura urgência.

— Anjo nada... Sou só um cara com um HB20.

— Segura a onda, moça! Vou te levar pra UPA agora!

— Ninguém morre no meu plantão!

JC arrancou com seu carro, cantando pneus em pleno acostamento em seu HB20 Amarelo.

No fundo, a cena do crime: a van destruída e o Mustang batido, uma bomba-relógio prestes a explodir.

VRUUUMMM

Página 26 - Ressurreição do Mal

E então...

o inesperado acontece.

Não um milagre de salvação...

Uma imagem de poder puro e aterrorizante.

A carcaça destruída da van da Rede News foi arremessada para o alto, como se fosse um brinquedo, voando e se despedaçando no ar.

No local onde a van estava, em meio a uma cratera no asfalto, a figura de Fernando começava a se levantar.

Ele estava vivo.

VVVROOOOMPH! (Som de toneladas de metal voando)

Narrador

( "Milagres existem."

"Mas cuidado com o que você pede..."

"...porque o inferno também sabe fazer os seus." )

Página 27 - Sorriso de Sangue

Fernando estava sentado em meio aos destroços. Seu terno estava em farrapos, o corpo coberto de escoriações e sangue, mas ele parecia estranhamente calmo.

Com uma calma assustadora, tateou o chão ao seu redor, procurando por algo. Encontrou seus óculos escuros, milagrosamente inteiros.

Colocou os óculos.

Seu rosto voltou a ser uma máscara fria e impenetrável.

A besta estava de volta à jaula.

Fernando se levantou e viu o Mustang batido ao longe.

Sem hesitar, correu em direção ao carro para ajudar seu chefe.

Chegou ao Mustang e, com uma força brutal, arrancou a porta do carro das dobradiças.

KREEEEEENK!

Com uma delicadeza surpreendente, afastou o airbag e amparou a cabeça de Magnus, que começava a despertar, sonolento.

— Fernando...?

— O problema... foi resolvido?

Fernando apontou com a cabeça para a van, agora um monte de metal retorcido a metros de distância.

Pela sua perspectiva, a aniquilação fora total.

— Alvos neutralizados.

— Perda total no veículo. Sem sinais vitais visíveis.

— Omissão de socorro concluída com sucesso.

Um sorriso de pura satisfação se espalhou pelo rosto ensanguentado de Magnus.

Que em seguida pega Pegou seu iphone carissimo, a tela trincada, mas funcionando, e fez uma ligação.

— Preciso de uma carona. Urgente. E mande junto o "serviço de limpeza".

Magnus desligou e se virou para seu leal e ferido segurança.

— Bom garoto.

— Vamos pra casa.

— Você fez por merecer... Papai vai te dar a sua "suplementação" extra.

Pela primeira vez, os lábios de Fernando se curvaram em um sorriso.

Não era um sorriso de alegria.

Era algo antinatural, faminto e profundamente perturbador.

Narrador

("Cães fiéis não sorriem por amor ao dono."

"Eles sorriem quando sentem o cheiro da carne.")

Página 28 - O Segredo no Bolso

UPA. Onde a vida e a morte negociam em balcões de fórmica, sob luzes fluorescentes que nunca se apagam.

A porta de vidro de uma UPA se abriu com violência.

JC entrou como um furacão.

Estava sem camisa, descalço, com o corpo sujo de areia e o peito manchado com o sangue de Vanessa.

Em seus braços, carregava o corpo inerte de Vanessa.

A sala de espera, cheia e barulhenta, parou por um instante. Todos os olhos se viraram para ele.

— MÉDICO! TEM MÉDICO AÍ?!

— SOCORRO! ELA TÁ MORRENDO!

— ALGUÉM AJUDA, PORRA!!A reação foi imediata.

Médicos e enfermeiras correram em sua direção com uma maca. A cena era de caos profissional.

Médico (Plantão estressado):

— Traz a maca! Código vermelho!

— Qual o trauma? Fala comigo, garoto!

JC (Ofegante, em choque):

— Batida... Capotamento feio...

— Ela sangrou muito... Eu não sei... Só salva ela!

Enquanto transferiam Vanessa dos braços de JC para a maca, os olhos dela se abriram por um instante.

Um lampejo de consciência, um último ato de instinto.

Sua mão, fraca e trêmula, se moveu do bolso de seu jaleco em direção a calça de JC.

Ele estava distraído, olhando para o médico, e não percebeu o movimento sutil.

Com as últimas forças, ela deslizou a cápsula dourada do Soro Gênesis para dentro do bolso do calção de JC.

Era um ato secreto, desesperado.

A prova não podia ser perdida.

Vanessa apagou novamente. A equipe médica já corria com a maca em direção a um corredor.

— POLITRAUMA! FRATURA DE FÊMUR, POSSÍVEL TCE!

— A PA ESTÁ NO CHÃO!

— SALA VERMELHA! INTUBAÇÃO IMEDIATA! CORRE!

JC tentou seguir, mas um segurança do hospital, grande e entediado, barrou seu caminho com o braço.

— Opa, opa, opa! Calma aí, "Chefão".

— Segura a onda, meu parceiro.

— Sem camisa não rola. Norma da casa.

— Espera lá fora que o doutor já te chama. Fé em Deus.

JC ficou parado, sozinho, no meio da sala de espera caótica.

Observou as portas da UTI se fechando, levando Vanessa para longe.

Estava atônito, coberto de sangue que não era seu, e completamente alheio ao fardo perigoso que agora carregava no bolso.

Narrador

("E assim, num corredor sujo de hospital público..."

"...o destino do mundo escorregou para dentro do bolso de um calça suja de areia."

"JC Andrade ainda não sabe... mas a ressaca de amanhã vai ser a pior da vida dele.").

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