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Chapter 6 - capítulo 3: Beijo elétrico

Os drones de busca, como insetos mecânicos de olhos gélidos e azulados, sobrevoavam a cúpula do observatório. O som das hélices cortando o ar era um presságio de morte. O sistema de alto-falantes de um dos drones ecoou a voz fria e sintetizada da inteligência

artificial do Estado:

— Agente Est. Identificamos flutuações anômalas. Afaste-se do espécime William. A contenção será realizada com força letal caso a fusão prossiga.

Dentro do observatório, o pânico começou a subir pelo peito de William. O ruído em sua mente, que estava calmo, começou a chiar como estática elétrica.

— Eles vão te matar por minha causa — William disse, os olhos cheios de uma angústia profunda. — Est, saia daqui. Se você se entregar, eles podem te "resetar". Você voltará a ter sua paz.

Est segurou o rosto de William com as duas mãos, forçando-o a olhar em seus olhos. A luz dos drones lá fora piscava através das frestas, criando sombras frenéticas nas paredes.

— Eu não quero paz, William. Eu quero a sua música — Est declarou, a voz firme apesar do tremor em suas mãos. — Eles nos disseram que o meu vácuo apaga a sua dor. Mas eles não entenderam nada. O meu vácuo não serve para te apagar... ele serve para te dar um lugar onde você pode ser você mesmo sem destruir nada.

William sentiu a eletricidade em suas veias mudar. Não era mais uma descarga caótica de destruição; era algo que buscava um destino.

— O que você está fazendo? — William sussurrou, sentindo a respiração de Est contra seus lábios.

— O que eles mais temem — Est respondeu. — Eu vou deixar você entrar. Est fechou a distância.

Quando seus lábios finalmente se tocaram, não houve apenas o silêncio que eles sentiram antes. Houve uma explosão.No momento do beijo, a barreira entre o "Vácuo" e o "Dissonante" caiu por completo. A frequência negra de William, em vez de se dissipar no nada de Est, encontrou um condutor perfeito. A energia fluiu de William para Est e voltou para William em um ciclo infinito, criando uma ressonância que a física comum não conseguia explicar.

Uma onda de choque invisível, mas sentida no âmago dos ossos, emanou do centro do observatório.

Lá fora, o efeito foi imediato.

Os drones de busca travaram no ar. As luzes azuis de seus sensores tornaram-se brancas, sobrecarregadas por uma frequência que não vinha de ondas de rádio, mas de pura emoção humana. Um a um, os motores dos drones entraram em colapso e as máquinas caíram do céu como pássaros de metal atingidos por um raio silencioso.

A grama ao redor do prédio não apenas se inclinou; ela brilhou com uma bioluminescência pálida, pulsando no ritmo do beijo dos dois.

Dentro de suas mentes, o mundo desapareceu. Est não era mais apenas um espectador da música de William; ele era a própria música. 

Ele viu as memórias de William, sentiu cada ano de solidão e, em troca, entregou a William cada grama de sua calma absoluta. Eles não eram mais dois indivíduos; eram uma Sinfonia Fantasma.

Quando se afastaram, ofegantes, um fio de luz prateada ainda ligava suas auras por um breve segundo.

Est olhou para as próprias mãos. Elas emitiam um leve brilho, uma vibração que ele agora conseguia controlar. Ele não era mais apenas o silêncio. Ele era o mestre do som de William.

— Você sentiu isso? — William perguntou, a voz agora carregada de uma força nova, uma confiança que ele nunca teve.

— O sistema deles não consegue nos rastrear agora — Est disse, um sorriso desafiador surgindo em seus lábios. — Nós não somos mais uma falha, William. Nós somos uma nova linguagem. Eles tentaram nos usar como armas, mas acabaram criando algo que pode desligar o mundo inteiro deles.

William levantou-se, oferecendo a mão para Est. Desta vez, não foi por necessidade de contenção, mas por escolha. No momento em que suas mãos se entrelaçaram, um pulso de energia varreu a colina, desativando todas as câmeras de vigilância em um raio de cinco quilômetros.

— Para onde vamos agora? — William perguntou.

Est olhou para as luzes da cidade futurista ao longe, onde milhões de pessoas ainda viviam sob a tirania da "Sinfonia" obrigatória.

— Vamos para o coração do sistema — Est disse. — Está n

a hora de todo mundo ouvir a nossa canção.

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